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12/05/2022

Diário

O ano continua impante. Para abstrair de preocupações profissionais, no início de noite impus-me chegar a casa cheia de garra para dar a volta ao guarda-fatos. Uma hora depois tinha sacos de roupa para dar e deitar fora. Calças e blusas que voltaram a servir ordenadas ou no cesto da roupa suja para lavar e passar. Radiante por aquilo de que me livrei conter tons mais tristes e o destinado aos próximos meses ser bem mais colorido. Há que atrair a boa-disposição. E mais contente ainda por ter descoberto peças suficientes para continuar a cumprir o propósito de não desperdiçar, não comprando roupa durante o processo de emagrecimento.


E lá ia eu feliz e contente com saco de lixo e de roupa para deitar fora. Eis senão quando encontro a vizinha de baixo à porta do prédio muito simpática a participar-me que está com infiltrações de humidade, pelo que terei que accionar o seguro. Não seria o fim do mundo momentâneo na minha alma, caso não tivesse passado por um calvário no apartamento anterior, com metade da casa sujeita a este tipo de problemas e o sacana do proprietário de cima causador dos danos a arranjar todas as artimanhas para não resolver a questão.


Amanhã lá ligarei para a seguradora e lá acabarei por ter de fazer uma obra não prevista por um problema que desconhecia, quando andava a adiar uma remodelação desejada há quatro anos por não me apetecer ter a casa em pantanas.


Esta seria aquela época da vida em que se conduzisse com certeza já teria desfeito o carrito. Nunca fui muito de ligar à treta do "Karma", mas lá que me devem ter rogado uma valente praga, devem.


De resto, o mundo. Sinto-me anestesiada. Presumo que seja sensação comum a muitos que vão assistindo ao desenrolar das notícias com cada vez menos capacidade de se comover. Durante o dia (e já ontem) pensei em escrever sobre a Dor (imensa na Ucrânia) e nesse efeito anestésico sobre quem assiste à distância à guerra em directo. Haverá possibilidade de dar dimensão real à Dor sem banalização e sem perda de dignidade?


A última entrada do YouTube da Maria João tem-me acompanhado desde ontem. Já ouvi o concerto integral quatro ou cinco vezes e encantou-me - desde 2001/2002 que não a ouvia tantas horas. A nota mais positiva é que recombinei o jantar cá em casa com amigos adiado em Dezembro. Bem puxo pelo bom astral, a ver se pega.