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19/05/2022

Auto-estima

Creio que há muita confusão sobre aquilo a que se chama auto-estima. Constantes manifestações de certeza, desinibição, contentamento consigo próprio no que concerne à imagem física e intelectual e com a própria visão do mundo escondem não raro mera necessidade de afirmação e fuga em frente. Ao passo que a aceitação das deficiências e fragilidades pode corresponder a maior consistência e conforto na avaliação que se faz se si próprio.


É difícil fazer entender aos afirmativos que a autocrítica não é um monstro autodestrutivo nem a assunção dos defeitos conduz à infelicidade. Pode até ser uma forma de robustecer o carácter.


Naturalmente, em tudo isto haverá um ponto de equilíbrio mais aconselhável. Mas numa época em que se privilegia a venda da fantasia, do artifício da imagem física e intelectual, convém lembrar estas pequenas nuances.