Não havendo segurança e juízo crítico sobre si mesmo é muito difícil resistir à tentação de se mostrar mais conhecedor que os demais. O velho tique da adolescência do “eu sei” mantém-se vida fora, ainda que dissimulado nas subtilezas no discurso, quanto mais inseguro se é e mais necessidade de afirmação se tem. Com o passar dos anos todos adquirem informação e, menos vezes, conhecimento sólido sobre os mais variados tópicos, que juntam aos valores, tiques e preconceitos herdados. A contenção no permanente arremessar de pretensa sabedoria, dando espaço para respirar a quem está à volta é arte que devia ter mais cultores, mesmo assumindo que os outros o tomem por desconhecimento, e mesmo que entremeada com frontalidade pouco dada à conquista de fáceis simpatias. Nada que se confunda com a ostentação de tolerância ou condescendência, que servem mais para dar lustro ao ego do que para respeitar os demais, apesar de terem muita saída e admiradores entre indivíduos e espaços onde vinga a aparência. Trata-se antes do simples evitar recorrer, a pretexto de se mostrar mais perspicaz e sapiente, a chavões, bengalas e contra-clichés de gosto mimetizando o que é uso corrente nas castas sociais e intelectuais, confundindo tudo isto com instrução ou refinamento do conhecimento e que mais não traduz senão extraordinária necessidade de se enaltecer à custa de segregar o poviléu. Desta forma nunca ninguém se conseguirá enobrecer, mas tão só vender imagem vã e perpectuar a falta de instrução dos portugueses e tino do país.