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26/08/2021

Uma versão das coisas

Visto à distância o que te aconteceu em 2007 foi uma coisa do género: bom, minha menina, vais desacelerar e atinar ou queres que te mostre o filme da vida a mil à hora?, disse-te o cérebro. E tu, que andavas distraída dele – do miolo –, nem o ouviste. Aliás, desafiadora: deitaste imprudentemente a língua de fora. Ressentido da falta de atenção e desaforo – os cérebros são uns peléns manientos -, o filho da mãe ligou o sequenciador dos frames da vida a mil à hora, com a particularidade de te mostrar a película sem a confortável convenção “tempo”, i. é, imagens de passado e futuro cruzaram o presente em sequências de flashes baralhados. Ora, parecendo que não a noção de tempo está cá para dar sentido à vida e uma certa paz de espírito, pelo que podes garantir não ser coisa apetecível cair nesse tufão – usar a imagem de buraco negro seria demasiado fácil. Sê suave na linguagem: custa um niquinho e é desagradável.


Saíste de lá outra. Como se tivesses sido torcida na centrifugadora Miele, talvez o teu electrodoméstico favorito em criança, a rivalizar com as máquinas de café. Durante cerca de um ano estremecias inteira, quando recordavas o momento mais violento do furação.


Ah, acelerar o coração melhora a condição física. Ah, é preciso confrontar, é preciso arriscar, é preciso viver. Está bem, abelha. Se quiserem, podes sugerir métodos mais radicais - pode ser que achem divertido, nunca se sabe.


Sopas e descanso, é o que mais te apetece dizer hoje.