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Os portugueses de tão habituados ao absurdo da política portuguesa estão anestesiados. É possível que a maioria de nós, face a um paradoxo destes, resolva arranjar um escadote – uma burra – para trepar a casa e assim viver o dia-a-dia.
Aliás, é assim que sobrevivemos: a trepar à burra para conseguir chegar a ter vida no meio deste entulho que nos governa e administra.
A imagem - e notícia do Observador - é uma metáfora para a vida política portuguesa.
As justificações de que: a) a obra não se encontra concluída, b) as casas não são de habitação permanente, c) são para uso de militares da GNR que têm acesso por um portão lateral, definem com absoluta clareza e exactidão o estado de estupidez natural das desculpas das autoridades públicas a que os portugueses estão bem acostumados e cada dia mais acham normal. Só resta marimbar na realidade, assistir e comentar o futebol para esquecer esta tragédia de país.