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26/08/2021

Trabalho

Interrompo o “emailar”, olho para o relógio [10h45] e penso: tens 15 minutos para escrever um postal sobre o que estavas a pensar.


Li há pouco tempo que Elon Musk – creio que é ele, senão for será um outro crânio multimilionário da tecnologia – diz querer libertar a humanidade das tarefas aborrecidas. E volto à mesma tecla. Sempre que oiço a conversa do sacrifício das tarefas rotineiras, aborrecidas e do ódio ao trabalho menor, irrito-me por dentro. Às vezes, quem o diz são pessoas que estimo por isso tento distender os ânimos.


Fico sempre a pensar que espécie de auto-estima insuflada têm as pessoas que se acham superiores ao rotineiro e ao trabalho dito estupidificante. Acredito que todos os que trabalham deveriam fazer algumas tarefas rotineiras diariamente a bem da disciplina e da saúde mental. Quanto mais não seja para ficarem mais situados e não se acharem pequenos deuses, a quem o Universo conferiu poderes especiais sobre os outros e sobre a natureza. Sei, há qualquer coisa que assusta: “o trabalho liberta” tem de facto a pior das reputações. A questão é que agora a ameaça está do outro lado: agora querem libertar-nos da própria natureza humana. A humanidade anda sempre atrasada em relação aos perigos. Presa ao que já foi, vê sempre as profecias no lado errado.


E acabei às 10h59. Falta publicar.