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02/08/2021

Conversas cruzadas

Acabou o fim-de-semana e antes de abrir a página do futuro - gostas sempre de saber o que predizem os astros, se bem que às vezes passam anos sem que lhe dês atenção – e pensaste que hoje (ontem) terias dado os dois dedos de treta usuais, mas a página onde o costumavas fazer há vinte anos, e continuas a visitar desde que regressada há três, estava em baixo. Um hábito saudável, que não passa na maioria das vezes de meia hora de troca de letras absolutamente aleatória e inócua. A regra básica é sair rapidamente nos dias – e não são tão poucos assim - em que a estupidez impera. Por regra, é conversa solta, bem-disposta - para muitos será imbecil e coisa de gente ignorante que perde tempo com risadinhas tontas - e pouco dada ao que sempre se preconcebe nestes espaços. Vais sabendo de vidas, criando laços de estima livres. Quem fica, fica. Quem sai, sai. Ao fim de vinte anos, com interregno de doze, aquela vinha deu-te colheita para a vida de duas pessoas que permanecem e de mais duas que também esperas manter na tua vida, e assim fica mais leve.


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Se transportasses a dúvida do dia de outras bandas mais densas - e que se repete no último par de anos - para aquele ambiente que conheces há tanto tempo, a pergunta banal seria: - Que quiseste dizer com aquilo? Talvez não obtivesses resposta e ainda assim esclarecerias pela tua parte: - Limitei-me a fazer um elogio, caso não tenhas percebido. E acrescentarias, isto assim é muito confuso, nunca perceber o que dizes nem saber se fui entendida. Se a inteligência e a tentação recomendam os subentendidos, a sensatez recomenda a verdade. Odeio mal-entendidos. Algures nos astros está escrito que devo levar as coisas com mais sentido de humor. Tem dias que pergunto: mais ainda?


E sê totalmente franca: a dúvida maior prende-se com o lado sujo daquela casa. Se há pessoas que ficam para a vida pelo bem que nos fazem e pelo bem que lhes queremos, sempre existe a excepção de que se quer distância. E essa excepção acaba por ser um empecilho/fantasma: um empecilho a visitar descontraidamente a casa sem temer o risco de voltar a ser ludibriada na identidade e um empecilho a ter confiança nas pessoas que tarde descobriste dele serem próximas.