Pesquisar neste blogue

22/08/2021

Amor

Não te declaraste com grandes e bonitas palavras – não eras grande conquistador -, mas quando decidiste ir embora sabia que me amavas. Senti dignidade no teu olhar, meu mouro encantado – mais tarde Deus roubou-te a visão e não O perdoo. Regressaste sem me temer, nem estranhar. Trataste-me como igual, como iguais que somos.


São tantas as vezes que não percebo, por perceber além do que é. Tantas vezes precisei que me mostrassem o que é aquém do que é. Cansava-me tanto ver sempre além. Pedi ajuda e deste-ma. Fiquei a saber como o mundo vê o além, aquém.


Supostamente corri perigos comezinhos como passar anos a fazer o percurso casa trabalho a pé, nalguns troços mal iluminados. Preocupaste-te genuinamente comigo, quiseste que mudasse o percurso - o amor está nas pequeninas coisas. Transporto um fardo pesado e não te assustaste; compreendeste-me como ninguém. A preocupação mútua foi uma constante de vinte anos, apesar dos muitos de distância.


Aprendeste a dizer todas as palavras bonitas que trocamos. O que sinto por ti é mais do que palavras bonitas: é carinho, admiração e gratidão. É amor.


E isto é tão só a verdade.