Pesquisar neste blogue

17/08/2021

Ronda do dia

Enquanto os meninos e as meninas da esquerda e da direita se entretêm a medir a pilinha do quem é mais defensor dos direitos das mulheres, os afegãos caem nas mãos dos fanáticos, com o beneplácito e sorriso amarelo do Extremo-Oriente, aliás, do além Urais. A Ocidente os cobardes da esquerda pedem às afegãs que se aguentem à bronca e as gabarolas de grimpa levantada da direita ironizam sobre o silêncio das #metoo – argumento do tipo que me lembro de usar no Liceu, há trinta e tal anos.


Na televisão portuguesa vejo um comentador, cujo apelido fazia parte das referências à mesa de jantar quando era pequena: mais um da casa tal, filho do primo tal, casado com a sicrana, da família tal, a viver na terra tal, sobrinha do tio tal, a trabalhar no sítio tal. Em rigor, até conheço bem alguns deles, mas adiante. O certo é que não faltará nunca um lugar no Governo, numa direcção de uma grande empresa, num alto cargo da função pública ou nalgum órgão de comunicação social. Nada de mal ocorreria não fosse o facto do comentário - redondo e com meia dúzia de referências às tácticas e artimanhas políticas - ser de uma vacuidade só. Mais: revelar total insensibilidade pela vida dos afegãos. A lembrar a actuação de outro familiar seu num dos governos transactos. Ainda assim, menos mal. Quando no Governo conseguem causar maior prejuízo, beneficiando as redes de interesses instaladas, como não podia deixar de ser.