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24/08/2021

Sono tranquilo

Pousaste o livro e pensaste: este fulano vai ter um triste fim. De nada lhe valerão os múltiplos pseudónimos ou máscaras masculinas e femininas. Não tem alma: viveu fajuto e há-de morrer fajuto. Pensaste uns segundos sobre a repulsa que sentias, ciente que não precisas de te preocupar: quanto mais cerca e maça quem não pode atingir, mais consciência tem do triste fim que o espera e do legado de cobarde falhado com pretensão a talentoso escritor que vai deixar. Nada se aproveita, só sobra marketing. Perdeste mais uns segundos para contar há quantos anos deduziste de quem se tratava, e como na altura te achaste estúpida por teres feito figura de urso. E quão rídiculo é este jogo demente que quer jogar. Podias desaparecer mais uma vez para não aturar o tarado, mas não te apetece. Comeste uma laranja seca e foste dormir o sono tranquilo.