Ontem, antes de uma noite bem dormida para me refazer da semana intensa e desafiante, perdi uma hora na página da Goldman Sachs. Um comentário - espero que distraído – a propósito da pandemia e de opiniões mais objectivas e distanciadas do que sucedeu ao mundo neste último ano e meio levou-me à inusitada leitura e audição de vídeos do site deste grupo financeiro multinacional – a coisa mais aborrecida que se possa imaginar, julgam muitos.
Podia ser este como outro qualquer, entre os inúmeros grupos de interesses económicos. O que une os sites das grandes empresas multinacionais? A identidade digital passa por quatro vectores patentes – a história, a descrição do negócio, a assunção de responsabilidade e o compromisso com os valores actuais – mas também por um subentendido – o conhecimento antecipado do devir.
As páginas das multinacionais reflectem não só o que existe como a preocupação do negócio nos tempos vindouros e o acomodar aos desafios e oportunidades que espreitam no horizonte. Quanto mais transparentes forem, e atenta a importância e peso decisório que têm no mundo moderno, mais informação nos darão sobre o que sucederá ao mundo.
Assim se percebe que na imagem destas páginas nos últimos anos se invoque muito a diversidade e as preocupações ambientais ou agora se perscruta os próximos passos nos tratamentos da Covid. Nada disto é alheio aos negócios e à economia. As soluções que os múltiplos grupos de interesses económicos encontram para se adaptarem às expectativas futuras – tantas vezes por si próprias criadas – moldam a realidade em que todos vivemos.
Estar atento ao que dizem e deixam escapar nas entrelinhas as grandes mentes empresariais – sobretudo no domínio das empresas tecnológicas e financeiras – por mais que alguns deles pareçam – e sejam – vendedores da banha da cobra é meio caminho andado para perceber o mundo onde vivemos. Ver jornais é, na maioria dos casos, um desperdício de tempo. Ler jornais não é de todo suficiente. Para denunciar a banha da cobra, é preciso perceber o negócio de concepção, produção, distribuição e venda da dita.
Antes de tudo isto, a serenidade doméstica e ainda na sexta-feira à noite uma simpática chamada telefónica. Conversa juvenil, alegre e amiga. Depois da noite bem dormida, um dia bom entre os mais próximos. Conversas seniores plenas de ironia. Mais um cochilo de duas horas fora de horas e voltei às deambulações virtuais.
Desta feita para descobrir já fora de tempo – confirmar, vá – mais uma historieta sórdida sobre o mundo da edição: mais um caso de abuso e assédio por figura repelente – até fisicamente. Defendida e encoberta pelos do costume: a trupe dos interesses e das trocas de favores, cujo trabalho e lugares-comuns singram nos actuais escaparates. E é isto a actual elite: a que corrompe, vendendo todas as baixezas a troco de dinheiro ou poder de influência. Em associação fácil recordo a profunda admiração que por esse escroque vi manifestada no passado. As peças encaixam. Em certos casos é patológico: faz todo o sentido a amizade e carinho por escroques. Para alguns são ídolos a quem se segue as pisadas. Deixo a segunda ilação para outro postal - passa pelo papel funesto das mulheres pregadinhas em tudo isto.