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05/04/2022

Recapitulando


Comentários & Magusto


por Isabel Paulos, em 04.05.20


 


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É hora de explicar as razões da opção por não abrir a habitual caixa de comentários nas Comezinhas. São essencialmente duas. Lido mal com o contraditório, coisa que não é habitual admitir-se num mundo em que todos se dizem muito democráticos, sejam ou não. E poupo os potenciais comentadores aos disparates de outros comentadores ou às minhas próprias patetices e maus humores. Como se houvesse muitos (ou vários, na melhor das hipóteses) comentários. Mas, enfim, façam por acreditar que isto é um blog a sério.


É essencialmente por isto. Admiro quem sabe debater até às últimas consequências, mantendo sempre a elevação, o humor e o poder de encaixe mesmo quando a javardice impera. Mas não fui bafejada por tão nobres qualidades. Nem com o dom da moderação. E, como além de déspota e imoderada sou incoerente, no último ano e depois de muitos anos afastada das virtualices, deixo comentários em espaços alheios, que sigo assiduamente seja por entretenimento ou para ver se aprendo qualquer coisa.


Para quem foi habituada toda a vida a ser alvo de chacota e a fazer chacota dos outros, o que hoje consideram bullying parece-me coisa para meninos. Entre familiares e amigos vivi sempre de picardias. Aliás, nem sei viver sem elas. Mas nas raras vezes em que tenho juízo poupo-me às desconhecidas, por não estar para aí virada.


Além do que, em boa verdade, comentários não fariam muito sentido num blog de pendor confessional, a forma civilizada de dizer narcísico e exibicionista. E mais: não há aqui substância suficiente para debater.


De qualquer modo, está sempre aberta a caixa de mensagens ali na coluna da direita. Não é pública, mas não se acanhem, sobretudo, em críticas e chamadas de atenção. Só peço é que caso queiram que saiba quem são, identifiquem-se no corpo do texto, porque a caixa é anónima. Não é indirecta, é só para explicar como funciona.


Aproveito para agradecer a quem por cá passa. Faço muito gosto que percam uns minutos com coisas comezinhas e patetices.


E aos que vêm cá com mais frequência quero confessar que as Comezinhas servem sobretudo para me divertir (isto diverte-me) e para ver se aprendo a escrever. Se é verdade que para saber escrever é preciso ler, não é menos verdade que é preciso escrever muito. As Comezinhas funcionam como as primeiras semanas a seguir às férias na escola primária. Quando ficava sempre impedida dos recreios, até acabar de terminar as cópias dos deveres que nunca fazia em casa. Escrever aqui é como fazer os deveres em público. Acho que este foi um momento de saudade da boa e compreensiva irmã Maria Júlia, professora da terceira e quarta classe, que me deu uma única palmada na mão em dois anos, e com toda a razão: depois de avisada para o erro insisti no magosto na redacção sobre o São Martinho. Eu gosto muito do Magusto! Ainda mais, fora de época.


Boa semana.