As generalizações - até poderão fazer algum sentido como traços de personalidade das regiões - de uma maior franqueza ou frontalidade das pessoas no Norte e muito em particular dos portuenses em contraste com a tendência para a dissimulação lisboeta não se confunde com um cliché absolutamente sem sentido que alia a franqueza à grosseria e associa a dissimulação ao civismo.
Pessoas bem educadas existem em qualquer parte do mundo, tal como existem grosseiros em todos os lugares.
É aliás a falta de educação e de mundo que leva tantos a caírem nesses estereótipos.
Esta é a razão pela qual fico encanitada sempre que vejo alguém dizer-se muito frontal por ser do Norte para justificar uma qualquer atitude boçal. Nestas ocasiões fico sempre envergonhada. Tal como fico encanitada com o sotaque afectado ou outros tiques de piroseira dos emigrados na Grande Lisboa ou mesmo dos autóctones, que confundem educação com sinais exteriores pretensão.