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30/04/2022

A ler

Álvaro Siza Vieira, 30 anos depois do Pritzker: "Há muitos melhores do que eu. Ai de mim quando a dúvida já não existir", no Observador.



Ao longo dos anos recebeu mais críticas construtivas ou disparates?
Construtivas são todas as que forem bem feitas, mas nós movemo-nos entre dúvidas, não há certezas em relação a atividade nenhuma. Acha que um escritor que está a escrever um livro está convencido que aquilo é genial? Não, tudo o que seja trabalho de criação contém uma grande percentagem de dúvida e a dúvida é o elemento mais útil e mais eficaz na arquitetura. Trabalhamos a partir de sequências de dúvidas, não podemos partir de certezas ou de iluminações súbitas caídas do céu. Há sempre um balanço entre convicções e dúvidas e não podemos supervalorizar uma e ignorar a outra, se não as certezas são capazes de derrapar. A dúvida pauta a atividade de qualquer criador.


Ainda costuma ter muitas dúvidas?
Muitas, principalmente no arranque dos projetos, mas não fico atormentado porque já tenho a experiência suficiente para saber que ela é necessária. Pode custar, exige uma concentração muito grande, pode causar inclusive sofrimento, mas é o elemento de trabalho certo, disso não tenho dúvidas.


*



Sábias palavras.


Com desfaçatez direi que em termos de habitação social a visão e concretização de Siza Vieira ficou muito aquém da intenção que acredito ser o mais séria possível de chegar e beneficiar os menos favorecidos. Covinha alguma praticidade agregada ao génio.


Adorei a entrevista ao venerável senhor arquitecto, por quem tenho a maior admiração. Fiquei com vontade de ir à Casa de Chá da Boa Nova. Bom pretexto para sair de casa, ou talvez não. Passou a ser espaço elitista.