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23/04/2022

Diário

A ouvir dias seguidos Carmen McRae. Estou fã. Entretanto tentarei fazer um postal - ainda não comecei -, mas com a movimentação habitual aos Sábados nesta casa a fornada só deve sair à noite. A disposição da manhã não foi grande coisa. Irritada com a consciência das afrontações gratuitas do último ano. Não é que não saiba que tenho mau feitio, muitas irritações e que entro em confrontação fácil, mas não gosto nem um pouco de ver afrontar gratuitamente. Muito menos do conflito oportunista entremeado de falinhas-mansas dissimuladas. É coisa infantilóide que não dá pica nenhuma nem é digno.


Na quinta-feira acabei por não tratar dos assuntos pendentes. São eles a atenção às contas bancárias, ao contrato com a operadora de telecomunicações e as papeladas relativas a saúde - mais exposição é impossível. Até há ano e meio andava sempre em cima do precário do banco para evitar a cobrança das comissões de manutenção - bastava conferir as condições de isenção que vão mudando de molde a sacar uns millhõezitos aos clientes. Tendo-me distraído no último ano apercebi-me que as ando a pagar. Verificarei as condições para recomeçar a usar os cartões de forma racional evitando os habituais e ardilosos abusos dentro da lei cometidos pelos bancos. Por outro lado, com as hospitalizações deixei passar o prazo de rever as condições dos seguros e convém verificar a que páginas ando. Relativamente às telecomunicações há uns dias subscrevi novo pacote e tendo reparado num ínfimo pagamento mensal acrescido nos últimos 3 anos conseguido de forma espúria quero decidir se abstraio ou entro em confrontação aproveitando o prazo de 14 dias para desistência - a verdade é que não quero mudar de operadora, com a qual sempre me entendi bem. Quanto à saúde as consultas, receitas e a carga de medicação têm sido muitas. Antes que perca o pé terei fazer um registo escrito calendarizado. Não cuido só da minha saúde como da do Nuno. Há-que enviar emails para os dois centros de saúde, fazer marcações e preparar os pedidos para as próximas consultas, verificar a medicação. À habitual medicação crónica, juntaram-se as temporárias e uma catrefada de vitaminas ou semelhantes que me fazem lembrar da avó Rosa. Dizia a avó que não sabia para quê almoçar se ao fim de tomar 13 comprimidos estava almoçada. Espero nesta matéria não sair à avó Rosa, sobre quem me apetece escrever o texto seguinte, já que morreu cedo, aos 71 anos.


Este foi um apontamento Big Brother sui generis. Para ser excitante devia ser palpitante - com apelo à imagem e intriga ou conflito e, claro, envolvido em muito amor -, mas esta é tão só a vida comum de uma pessoa comum.