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19/04/2022

Nuances

E se os sujeitos que se mostram muito preocupados com o politicamente correcto e o perigo da purificação da humanidade fizerem parte eles próprios das tribos de grandes fabricantes de modelos de comportamento e cânones de personalidade arbitrários, usando permanentemente a coacção, constrangendo os outros a agirem segundo os seus ditames através da lei da força da retórica ou de tácticas de invólucro atraente?


É bom que não se menospreze o peso e capacidade de dano das palavras e se ignore que o acesso à retórica não é democrático. As relações de poder nos dias correntes fazem-se de um modo muito diferente do que acontecia no século anterior.


Invocar os grandes valores da liberdade e da democracia encobrindo o modo real como as relações de poder se estabelecem é um artifício ardiloso para manipular a razão e a verdade. 


O politicamente correcto é irritante, mas também muito confundido com reacções legítimas a agressões frontais ou dissimuladas de gente que, sentindo-se irmanada e apoiada por um grupo dominante, tem enorme prazer em desprezar ou lucrar com a exploração das fragilidades alheias. 


O mundo raramente é a preto e branco.