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25/04/2022

Escrito suspenso

Anteontem escrevi longas linhas sobre amigos e gente em que tropecei. Percebi que não ia publicar. Duas razões. Nos (poucos) amigos a menção directa a par das virtudes de tantos defeitos - por isso mesmo gosto tanto deles - feita de forma pouco cuidada poderia parecer incorrecta e não dar a real dimensão da importância que têm ou tiveram para mim. Sobre os mais do que amigos nunca tive a desinibição suficiente para escrever como se fizesse uma crónica, por um lado por me parecer desleal por outro por ter muito presente a imagem reles dos homens e mulheres que exibem as suas conquistas para se sentirem gente. O Nuno é a excepção na falta de vergonha pela importância que tem na minha vida e por se ter transformado em família com toda a intimidade e segurança mútua que daí advém - vá, e sendo realista, por ser o único que teve real paciência para me aturar.


Isto a propósito do tal texto sobre o muito que os outros me trouxeram, que queria bem mais alargado, chegando a mais tipos de relações como as profissionais, sociais, ocasionais, já que das familiares vou falando bastante. Enfim, a ideia seria mesmo o simples contar como me tocaram as pessoas com quem me cruzei na vida.


Sucede que ainda não cheguei à fórmula certa. Pretendo que seja mais uma vez uma mexerufada que envolva todos sem desrespeitar ninguém.


Hoje perguntei ao Nuno se esta coisa de expôr tanto a vida familiar e pessoal não seria uma menoridade. Enfim, as crises de consciência do costume com que o maço. Respondeu-me que não acha uma menoridade, mas tão só manifestação de orgulho nos meus - acrescentou que tenho razão para o ter. É um risco viver com uma pessoa tão tolerante, até porque fiquei contente.