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25/04/2022

Liberdade

Mais do que a maioria das balelas que se dizem habitualmente sobre o 25 de Abril, o que a mudança de regime permitiu aos portugueses foi acesso a maior qualidade de vida - resultado da abertura ao mundo e com ela a integração na Europa. Mais do que a troca de cadeiras de poder e privilégios em sociedade que se verificou, mais do que as odes à liberdade de alguns como se fosse a de todos e a narrativa melodramática ou fantasiosa de quem foi tendo voz nos últimos 48 anos e pintou um tenebroso quadro do antes - sem um átomo de aspectos positivos - face às maravilhas celestiais do imaculado após, o facto é que o grosso da população passou a viver melhor.


Neste 25 de Abril fui por isso pagar tributo ao desenvolvimento económico que a Revolução permitiu. Desloquei-me à Worten para comprar um monitor e uma televisão. O primeiro por o do Nuno, que tinha 15 anos, ter pifado há meses e por de vez em quando lá ser preciso ver para poder ajudar nalguma avaria dos computadores - de resto ele usa-os sem monitor. A segunda por há 4 anos quando mudámos para esta casa uma das televisões ter ficado com o écran estragado no transporte, vendo-se apenas uma mancha abstracta. Ora, sendo uma fonas e estando bom o som achei que podia servir perfeitamente para o escritório do Nuno, e assim ficou. Acontece que ele se considera merecedor de uma televisão a funcionar e, pronto, tive que concordar.


O momento mais bonito neste dia da liberdade passou-se nas escadas do Centro Comercial Arrábida, ao assistir ao entusiasmo no guinchinho de uma criança falando com os pais: já não é preciso máscara? Yeahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!


Isto sim, é liberdade.


Sobre o levantamento da obrigação de uso de máscara noto também o reverso das benesses da liberdade. O facto de todos terem opinião - e é evidente que não estou a negá-la - resulta nas maiores parvoeiras. Enquanto foi obrigatório era ver os fanáticos a acusarem e denegrirem quem não usava máscara ou não a colocava nos termos certos, agora que se pode andar sem é-se olhado com desdém e escárnio quando se usa. Lá está a liberdade dá para tudo até para se ser imbecil.


Andando de autocarro diariamente acabo por fazer alguns metros na rua com a máscara posta. É suficiente para ver o escárnio dos inteligentes da liberdade de opinião. Primos dos espertos da opinião livre que se agastavam quando alguém não punha a máscara nos últimos dois anos. Viva a Liberdade. Viva a Estupidez.