Persistir quando tudo parece ruir. Acreditar não sabes bem em quê quando não há razões para alegrias. Como diz o teu sogro: a vida é como os alcatruzes da nora, umas vezes para cima outras para baixo.
Seja. É aguardar ocupada por melhores ventos.
Por agora um amontoado de enguiços domésticos e outras miudezas arreliam-te (começaste a usar esta palavra depois dos quarenta, achas que em memória dos tempos antigos). Atiras para a próxima quinta-feira a resolução da maioria deles de modo a entrares no fim-de-semana mais leve de consciência, isto é, com sentimento de dever cumprido.
A despropósito, quando num dia próximo tiveres mais tempo, hás-de fazer um apanhado de títulos de notícias sobre a Guerra na Ucrânia que exemplifique o folclore valorizado nos dias correntes – a par dos conteúdos que interessam.
Como já aqui confidenciaste não és dada a grandes palavras no momento da morte de figuras públicas por não gostares de te apropriares gratuitamente da imagem ou bom nome de outrem, mas hoje ouviste duas referências a Eunice Muñoz - justamente queridíssima da maioria dos portugueses -, que te encantaram. Vieram ambas pela voz de Virgílio Castelo. Contou a propósito da importância do talento nos percursos no mundo do Teatro que a grande actriz dizia que ninguém explica o factor sorte - é um mistério. E não deixou de sublinhar que Eunice Muñoz era uma figura única ao ter atingido dois exigentes patamares: excelência e humildade.
Pode ser que ao mencionares Eunice Muñoz num postal corriqueiro de notas diversas faças justiça à grande senhora que era e não roubes nem um nico de dignidade ao momento de perda.