A ideia hoje é fazer roupa-velha dos acontecidos dos últimos dias que fui esquecendo. Apre, repetitiva. Mas que querem?, acontece-me sempre esquecer. Ainda ontem à tarde em cima do escadote a pendurar as cortinas em casa dos meus sobrinhos (eles colocaram a segunda), dizia-lhes que era a primeira vez que estava a fazer aquilo. Uma hora depois, já em casa é que caí em mim e lembrei as muitas vezes que o fiz. Esqueço-me, depois até posso passar por mentirosa. Lembro-me da cara da minha prima há uma década quando lhe disse que tinha 38 anos. Diz ela: tem graça, achava que eras mais velha que o meu irmão P., e eu: e sou. Pois, tenho 39, baralhei-me. Garanto que não é com o propósito de mentir, esqueço de coisas importantes. Baralho-me. Enfim, só faço vergonhas.
Ora, tentar apelar à memória. Ficou por contar no fim-de-semana passado que aquele telefonema desagradável com a CP para comprar bilhetes ainda teve mais consequências. Como cancelei a viagem de ida, a funcionária que atendeu enganou-se (outra pessoa diria foi intencional) e cancelou o bilhete de volta (que troquei e paguei). Vai daí, voltaram a vender os nossos bilhetes a outros passageiros. Já havia assistido a reclamações destas por parte de outros em viagens anteriores, mas nunca me tinha acontecido. Imaginam o desagradável da situação, de estar sentada com pessoas de pé ao lado na posse de bilhetes para o mesmo lugar. O revisor pediu as desculpas devidas e ao fim de algum tempo conseguiu arranjar lugar para os outros passageiros, mas o facto é que tudo quanto podia correr mal por incompetência nos telefonemas de Sábado, aconteceu. Se investissem mais energia a fazer bem o trabalho e menos greves, talvez estas pantominices não acontecessem.
Na tarde seguinte a escrever o post sobre a Igreja da rua N. S. de Fátima, passei de novo à porta e deveria haver alguma celebração já que a entrada estava enfeitada com flores frescas. Vi também que tinha um quadro com o horário, no qual nunca tinha reparado. Das duas uma: ou puseram nesse dia, ou não vira por distracção. De qualquer modo, observei que referem estar abertos todos os dias. Estranhei por ver sempre a porta fechada. Às tantas, está apenas encostada.
Ontem andei por aí em leituras não habituais. Há mundos diferentes. Como fico com a sensação de que deixo mais que venham até aqui do que vou até lá, procuro entrar em espaços que não leio habitualmente. Uma forma não só de enriquecer como de enrijecer o músculo mental. Fiquei com vontade de escrever sobre, mas ficará para depois, diluído em postais futuros.
Ontem passei parte substancial da manhã a acompanhar o Nuno num laboratório médico, para rotineiros exames e análises. É bom estarem abertos ao Sábado. Nos últimos anos marco sempre que posso os nossos exames e consultas para as 8h30 para evitar faltar.
Hoje li por breves minutos o Observador e o Público - os títulos e pouco mais. E ouvi o Leste/Oeste sem grande atenção. Foi tudo quanto chegou hoje de informação a esta mioleira. Estou naquela fase da vida em que tudo parece cíclico e manifestação de déjà vu, e isto vai das convulsões da política interna que me fazem lembrar as excitações do fim de ciclo de Sócrates, até à costumeira empolgação com o Clube de Bilderberg. Digamos que já pouco me comove.
Na actividade whatsapiana, recebi imagens familiares do navio-escola Sagres, atracado na movimentada Ribeira. E também da fragata D. Francisco de Almeida e de um navio patrulha de Sines. E de um amigo recebi fotografias de um troço lindo do Caminho de Santiago de Compostela na Galiza.
Tem sido um fim-de-semana atarefado, hoje ainda terei de trabalhar um pouquinho, não por vício em trabalho - essas paranóias já me passaram há muito -, mas por nesta última semana andar aluada relaxando em demasia: deixei acumular umas coisitas que preciso tratar. Não me apetece nada.
Hoje decidi que era quase Verão e vesti um daqueles três vestidos que comprei há semanas, mas o certo é que ainda está frio no Porto para estas levezas apesar de ver imensa gente de roupa estival. Entretanto a água da piscina estava outra vez fria (a caldeira deve ter avariado de novo) tal como estava frescote o caminho até aos balneários. Deve ser para nos espevitar e enrijecer. Acho muito bem: o clima na cidade do Porto e a natação não são para meninos.
Afinal não saiu roupa-velha já que não consegui envolver, isto foi mais um prato de cerejas, para tirar uma a uma – comprei hoje uma caixinha delas.