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22/05/2023

Fim de ilusões

Ontem ao final da tarde dormiste um pouquinho. Tiveste um sonho impactante. Além de dois gatos trazidos pela mão de quem perdeste o ano passado, viste algo raro nos teus sonhos: animais de grande porte. É a segunda vez num ano e há muitos, muitos anos o teu mundo onírico não lhes dava atenção. Um boi saía desembestado do cativeiro em granito. Ao lado um elefante seguia os mesmos passos. Assomavam os dois à porta de patas levantadas visivelmente zangados por terem estado presos – imagem impressionante de se ver.


Hoje, depois de uma noite sem sonhos, acordaste zangada e com vontade de cortar com o que te faz mal: enredos estúpidos de ilusões, mentiras e dissimulações. Já passaram uns anos. Tentaste por todos os meios acreditar e ser clara e nessa contabilidade feia que não se deve fazer, salvo nos casos em que é preciso acordar para a vida de uma vez por todas: deste muito mais do que recebeste. Foste clara, escusas de voltar a bater na mesma tecla. Agora é cortar a direito com quem não sai do castelo esperando que lhe prestem vassalagem e regressar à realidade dos que te querem bem e a quem tu queres bem. De resto, só vaidades. O que não tem remédio, remediado está.