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26/05/2023

Esperança

Vim pelo caminho a pensar com os meus botões como é costume, interrompida pela confirmação de a partir daquele dia em que aqui escrevi que a Igreja da rua de N. S. de Fátima só estava aberta uma vez por semana, passou a estar de porta aberta todas as manhãs. Voltei a entrar uns minutos não sei se em busca do tal sentido da vida. O certo é que não o perscrutei lá. Encontro-o mais facilmente ao observar o casal de melros com que me cruzo diariamente no jardim da rotunda ou mesmo com os artefactos do parque de diversões que está a ser instalado, como todos os anos, para o S. João. Comovo-me mais ao observar os aviões presos nas hastes giratórias, os carrinhos de choque e o foguetão do que as imagens dos lugares sagrados. A vida é como é.


Os pensamentos presos aos pés eternamente caminhantes estavam longe destas considerações espirituais. Explicava-me, imaginando que ia escrever um post. Na sempre presente necessidade de tornar pensamento e sentimento transparentes. Lisos, limpos. Mas para quê?, pensei ao sentar-me aqui. Por mil palavras use nada é palpável: o que penso e sinto e a verdade de como tudo acontece nunca hão-de de ser visíveis tal qual são. Não vale o esforço sobretudo se tudo é reduzido ao ridículo e ao leviano.


Por minutos entrei em modo retrospectivo que sempre me dá alento. Nada como a perspectiva. Afinal tudo é passageiro e esse é o segredo da sobrevivência humana. Se assim não fosse a loucura e a infelicidade imperariam. Tudo passa. Haja esperança.