Ainda um compromisso para esta tarde. Depois, quando chegar a casa de novo, dormirás ou escreverás, duas necessidades vitais que se começam a equiparar. Ou será apenas uma obsessão, escrever? Se ainda houver ímpeto, sairá mais um diário bem ensarilhado (deves o regresso ao uso desta palavra a outra bloguer aqui da plataforma). Ensarilhado de notas e pensamentos avulsos que não interessam a ninguém, sobretudo aos fins-de-semana, quando justa e sabiamente quase todos recolhem ao ninho (termo que outra bloguer usa para se referir à sua casa, tal como tu fazes) e ao que mais importa. Mas isso é o que menos interessa. À medida que o tempo passa cada post é como o largar pedrinhas do Polegarzinho para reconhecer o caminho para casa. Ris-te: estas são as tuas grandes referências literárias. Ah, se quiser ser considerada. Ah, se quiser que a levem a sério. Dizem os sábios do azedume, dos lugares-comuns e da pretensão. Voltando às pedrinhas. É assim que vês as linhas passadas. No Fora do Baralho e em tudo mais até às Comezinhas deixaste milho, comido pelas pombas, pelo tempo (e em rigor por tua acção de apaganço e rasganço - oh, sensação boa!, pena não ter ido rigorosamente tudo à viola, isso sim, teria sido uma medida profiláctica). As pequenas pedras parecem estar mais consistentes. Se resistentes ao tempo e aos teus vaipes não sabes. Mas também não interessa nada. O que interessa é que te trazem sempre a casa, reconstroem-te perante aquilo que foste e és, gostes ou não gostes. Te orgulhe ou te envergonhe. É como a vida assumida. A tua casa e o caminho para ela estão bem à vista de todos. Não vens do nada, por bela que seja essa imagem lírica da forasteira, traje que usaste (e usarás se te apetecer) tantos anos e te assenta bem. Explicado mil vezes: filmes western, versos de Ricardo Reis, gosto pelas viagens e eterna sensação de ser olhada com desconfiança ou desconsideração, apesar de amada e da atenção que te dedicam. Os primeiros três casos, os do passado. O último, uma descoberta mais recente. Engraçado, expressaste essa mágoa de incompreensão precisamente quando principiaste a achar que és injusta com algumas pessoas que reparas agora não só não desconfiam como te mostram as mãos abertas seja na vida física, dizendo-te abertamente o que pensam e sentem sem cálculo, seja aqui na internet, vindo conversar contigo directa e francamente das coisas mais comezinhas às mais densas, à vista desarmada, de quem está na vida com uma só cara, como procuraste sempre estar. Ficas grata, só podes ficar agradecida.
Ai, isto era para ser apenas uma linha e desembainhaste os dedos. Ao fim da tarde voltarás. Tomara o sono te permita continuar a deixar os dedos soltos.