Pesquisar neste blogue

20/05/2023

Recapitulando




Estrebuchar


por Isabel Paulos, em 29.11.21

 




O tempo contado e essa vontade de te elevares acima do trivial. Despegar das notícias qual gaivota presa a estrebuchar as asas depois de apanhada na corrente de crude. Relês postais antigos e dás por laivos de beleza no passado recente. Perguntas como é possível coabitar os dois planos: o da dita realidade crua que é cada vez mais fictícia e o mundo do belo, das sensações tão frágeis, intensas e apetecíveis. Quase tido por escape, como se não fosse ele a própria vida, a própria verdade. Corrompido, cada dia mais corrompido pela torrente pseudo-informativa. Tens pouco tempo. Muito pouco tempo para esperas e floreados. Segues de enfiada em demorada escolha de palavras ao acaso. Baralhas-te e não queres nem saber. Desejas chuva bem molhada, árvores que se vão despindo, sol a romper entre o céu enublado, rios desbragados em rodopios envolventes, vento frio qual lâmina cortante, serra altiva num gemido de delícias tremulas e esse mar desvairado de maré cheia a vazar forte em êxtase.