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01/05/2023

Jardim Infantil

Depois de na semana passada ter publicado resuminho pueril que me deu para fazer acerca da forma como Hitler chegou ao poder, esta semana, no dia 1 de Maio, vamos ver como Estaline esteve e saiu do poder. Assim tipo recreio de jardim infantil: um crápula subindo as escadas do escorregão e outro facínora instalado no topo e repimpado a descê-lo. Sim, porque isto da ideologia do terror não deixa de ser uma brincadeira infantil de mentes perversas. Na sala de aula faço o tê pê cê, as cópias que não fiz em casa. Fica então aqui publicado o apanhado do podcast Estaline morreu há 70 anos. Esta é a sua história, do programa E o Resto é História. Já sabem, se quiserem mais completo e fiel é ouvir o próprio autor, o historiador Rui Ramos, no Observador, que o que eu faço em seguida não passa de tentar reproduzir as suas palavras, sem emitir qualquer juízo crítico sobre o que ouvi.


Rui Ramos fala-nos do tirano Estaline que, como sempre defendeu Alexander Soljenítsin, não se compara aos autocratas Czares da velha Rússia, que lidavam com a Igreja Ortodoxa, a nobreza, os intelectuais e as pequenas comunidades de camponeses (comunidades locais), isto é, corpos sociais com capacidade de resistência. Estaline (e no plano das intenções também Trotsky) destruiu estes limites ao poder na Rússia, numa profunda revolução social destruiu a sociedade pré-existente. Fê-lo entre 1928 e 1933 com o fim da propriedade privada, da colectivização dos campos mediante a estatização das terras e a submissão em massa de 100 milhões de camponeses às unidades de produção estatais, com resultados catastróficos: cinco a sete milhões de mortos por fome (especialmente o Holodomor na Ucrânia) e a deportação e prisão em campos de concentração dos que protestaram ou tentaram resistir. Restaurou a Servidão na Rússia que já havia sido abolida pelos Czares, não atingindo os objectivos económicos, já que a produção agrícola diminuiu.


Antes Lenine tinha imposto o Partido Comunista como único partido, com perseguição de todos corpos sociais pré-existentes. O Partido passou a ser a única via para actividade pública. Estaline vai mais além, na década de 30, deixa de ser apenas o dirigente máximo do partido, passa à execução de purgas regulares e sanguinárias de grupos de críticos dentro do partido e do Estado. Como estratégia prende e executa todos opositores. Em 1937/38 dão-se os grandes processos de Moscovo. Possuir um cargo no partido não era garantia de não ser executado, pelo que era impossível gerar centros de oposição a Estaline. Entre 1934 e 1953 800 mil pessoas foram executadas. Em 1941 só 1% dos oficiais do exército tinha mais de 45 anos.


Rui Ramos explica que Estaline encontra a justificação de tudo isto no inimigo externo. O ditador tem a ambição da expansão territorial. Quer expandir o poder soviético: o império soviético. Vai jogando no mercado da diplomacia internacional entre a Alemanha e os Aliados: em 1939 aproveita colaboração com Hitler (fornece a máquina de guerra nazi) para conquistar e anexar os países bálticos, atacar a Finlândia, anexar parte da Roménia e da Polónia. Em 1941 com o ataque de Hitler junta-se aos Aliados, de quem recebe ajuda material em armamento e transportes, essencial para resistir e vencer o exército alemão. Entre 1941 e 45 ocupa vários países da Europa Oriental (incluindo a Alemanha Oriental). A partir de 1945 começa a instaurar obedientes ditaduras comunistas nos Estados anexados, sujeitas às mesmas purgas.


Estaline reivindica um papel providencial no mundo para a União Soviética na eliminação das classes sociais, com grande influência intelectual na política em toda a Europa, na qual florescem os partidos comunistas. Mais tarde, já nos anos 70 em retrospectiva, a crueldade do regime é não só reconhecida como assumida por Molotov, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Estaline, como uma necessidade para a construção da sociedade ideal. Em 1953 havia 2,5 milhões de presos nos campos de concentração. Estima-se que entre 1929 e 1953 tenham passado 18 milhões de pessoas nos campos de concentração, muitos morrendo lá já que existia uma dimensão de extermínio. Havia 2,7 milhões deportados, por vezes comunidades inteiras transplantadas entre territórios. A classe dirigente do Estado temia as constantes purgas. Tal como grupos profissionais e étnicos. Em 1953, no ano da morte de Estaline, o império estava em conflito com os antigos aliados e tinha problemas na área de ocupação (países anexados), com resistência contínua à submissão à União Soviética.


A 1 de Março de 1953 o ditador teve um AVC após retirar-se para dormir. Como havia dado indicação para não ser incomodado nenhum dos empregados teve coragem de entrar nos aposentos de Estaline, tendo passado várias horas caído no chão após o AVC, aguardando também pela acção dos médicos, dependentes das autorizações necessárias dos colaboradores mais próximos. Sobreviveu poucos dias.


O historiador Rui Ramos conta que a luta de poder que se seguiu é difícil de definir uma vez que nestas ditaduras o líder máximo nem sempre tem o expectável cargo no Estado. Chegou-se à frente o Chefe da Polícia Política, Béria, tendo escolhido outro membro da clique do ditador para colocar no lugar de Estaline. Béria, nascido na Geórgia como o tirano, homem de mão de Estaline para a repressão e à época o responsável máximo pelo programa nuclear, rompeu de modo radical com o ditador.


Sejam teses realistas e plausíveis ou correspondam aos usuais pretextos para as acusações que sustentavam as purgas, é usual referir que Béria: propõs a libertação imediata de metade dos 2,5 milhões de presos dos campos de concentração; defendeu maior autonomia e identidade própria às nacionalidades na União Soviética (dos estados anexados); tentou acabar com a tensão com os Estados Unidos, com a Guerra Fria (designadamente que teria defendido a desistência da implantação do comunismo na Alemanha) e teria admitido a iniciativa privada dos meios de produção.


Béria foi executado em menos de 4 meses.


É plausível que Béria tenha proposto a reconciliação com o Ocidente já que ela era desejável por vários factores. 1) A União Soviética enfermava de graves problemas: a indústria não produzia os bens de consumo necessários para a população soviética; a economia funcionava mal e o exército pior; o império era muito caro exigindo um enorme esforço militar; com a Guerra Fria a União Soviética estava privada dos capitais e tecnologias ocidentais, de que tinha beneficiado nos anos 30 e durante a Segunda Guerra Mundial, apesar de ocultar a verdade da industrialização ter sido feita com grandes investimentos e tecnologia norte-americanos; não tinha meios para usar as armas nucleares. 2) Havia outra ideia do que seria o comunismo: a transição para a tal sociedade ideal podia não passar pela revolução social com destruição das classes sociais e meios de produção (pela colectivização). Poder-se-ia entender o comunismo apenas como o domínio do Estado e da vida pública pelo Partido Comunista, compatível com o sector privado. Essa concepção tinha vingado na União Soviética entre 1918 e 1922, quando se consentiu um sector privado da economia. À semelhança do que viria a ser feito na China a partir 1976 com Deng Xiaoping, onde se manteve o poder do Partido Comunista, mas deixou-se desenvolver uma economia de mercado.  


Por fim, Rui Ramos esclarece que quem sucedeu a Béria adoptou parte das políticas, mas não as de maior descontinuidade. As razões para não se terem aproximado do que foi a China a partir de 1976 radicam na desconfiança de que liberdade económica originaria inimigos de classe, não acreditando que a classe de capitalista pudesse ajudar a manter o poder comunista. Outra razão foi a convicção do império (União Soviética e os estados e ela submetidos) ser demasiado frágil e diverso. Qualquer abertura à economia privada seria perigosa. O aligeirar a repressão originaria (como originou) revoltas contra o sistema, com reivindicações de independências e de autonomia. Qualquer tentativa de liberalização económica levaria ao colapso do sistema soviético. O que se verificou muitos anos mais tarde, na década de 80, com Gorbatchev.


Khrushchev e os outros estalinistas que se seguiram puseram fim às grandes purgas, a população dos campos de concentração deixou de ser a mesma, a indústria foi direccionada para bens de consumo, mas a economia planificada subsistiu e a tensão com o Ocidente manteve-se apesar da coexistência pacífica, pelo que a União Soviética perdurou mais 38 após a morte de Estaline, permanecendo sempre latente a questão da reforma do sistema (entre 1953 e Gorbatchev). A repressão estalinista era a forma de garantir o sistema. A revolução permanente, através da brutalidade e um custo humano gigantesco. Sem Estaline não funcionava, começando a degradar-se até à chegada do reformista Gorbatchev.   


Resumindo: trabalhei na madrugada do Dia do Trabalhador a fazer esta cópia que por mais simples e insossa seja exige atenção e tem o préstimo de alinhar ideias. Como sou uma menina muito bem comportada, agora mereço descanso e diversão. Vou ali ao recreio dar dois pares de estalos a  cada um dos facínoras e aos respectivos macaquinhos de imitação que por lá andam, arredá-los do escorregão e tomá-lo para mim. Quero brincar.