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12/05/2023

Ponto de situação

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Desde a última paragem há pouco menos de mês e meio, este espaço corre a um ritmo acelerado, apesar do slow rock. Escrita a metro, com ou sem sentido, nem vou perder muito tempo a pensar nisso. Neste fim-de-semana vou desacelerar. Para A Guerra creio que ficaram soltos uns desperdícios - assim se chamava à fiapada de réstias de tecido inundadas em óleo usada em oficinas automóveis; foi esta a imagem que me veio à cabeça – de notas a usar noutra altura. Também não é uma preocupação. As mil e uma noites da série A Guerra correrão como tudo na minha vida, oscilantes.


A propósito de um post passado que abriram ontem, divaguei uns instantes na distinção entre abertura de espírito, naturalidade e liberdade e deslumbre de embasbacados pretensamente desinibidos e resolvidos em matéria de sexo. Mas também não tenho a menor vontade de falar disso agora. Talvez noutra altura.


De que mais poderia falar hoje? Mais uma vez quase não li notícias. Li Rui Ramos “tudo agora é igual à crónica de Marcelo [há 50 anos]”. Ando a dizer isto (ou coisa semelhante, vá) há anos, ainda bem que é dito num jornal que é lido. Na semana passada li Jaime Nogueira Pinto a fazer uma daquelas passagens artísticas de diabolização dos identitários e a misturar alhos com bugalhos, e repare-se que gosto de o ler e respeito bastante o que vai dizendo. Mas há ladainhas – do género: os problemas reais (económicos) não passam pelas tretas de gente ressentida - que estão a nível de outra colunista, Raquel Abecassis, que acha por bem lançar mão do artifício muito disseminado entre velhos reaccionários de cada vez que se fala de direitos e liberdades das muçulmanas, perguntar onde andam as feministas de serviço. Porque é sabido essas perigosas mulheres que falam de abusos e agressões dentro do mundo ocidental têm a lata de pôr em causa o mundinho perfeito e fácil de redoma das meninas Abecassis. É uma maçada. Por falar em problemas económicos, fico condoída com tanta preocupação recente nestas hostes com os dramas financeiros dos portugueses; é que é gente que costuma sempre dar mostras de grande sensibilidade. Enfim, a hipocrisia é rainha.


Pronto, é isto. Este fim-de-semana vou a Lisboa, aliás, a Almada e como não gosto de escrever no telemóvel, devo desacelerar e poupar-vos às usuais linhas desagradáveis e enfadonhas. Espero conseguir dormir no comboio, já que ando a dormir pouco e sou como as crianças: fico com mau feitio, às vezes faço birra mesmo.


É uma maçada andar tão longe do mundo perfeitinho e de sucesso. As luzes, céus. Porque não te deixas embasbacar pelas luzes? Porque não te deixas seduzir pela iluminação das certezas? Porque não pensas e escreves ao nível da indigência mental? Seria tão mais fácil a tua vida. É uma chatice.