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03/05/2023

Diário

Hoje há apenas mais uma nota a registar. À hora de almoço desci a pé até à empresa debaixo de pingos de chuva. Ao fim do dia regressei entre caminhada e autocarro sob chuva grossa. Sempre sem guarda-chuva, esse empecilho que embaraça os movimentos e desnecessário quando não está frio.


Ah, afinal são duas notas. Contaram-me que alguém bem-disposto na semana dedicada a banhos lá no Oriente, apanhado desprevenido por uma onda a sair do mar, enrolou-se e perdeu a dentadura. Ao que parece crédulo ainda esperou que a maré vazasse na expectativa. Fiquei a magicar se terá sido na mesma praia onde com igual jetinho há 21 anos perdi um anel à conta das ondinhas e lá fiquei algum tempo em pequenos mergulhos de investigação a imaginar recuperá-lo no fundo do imenso Pacífico. Tenho de averiguar pormenores. De qualquer modo, já fui sabendo que três semanas foi tempo bastante para um Estado que funciona equipar o desventurado de nova dentição.


Pequenos apontamentos da vida neste dia tão bonito, de apetecer olhar para o céu.


Adenda. O Ritz acaba de nos pregar um susto. Ouvi-o mexer na porta de entrada - gosta de pular ao porta-chaves. Levantei-me, vi que estava tudo bem, ralhei e voltei para o +1 entretida nas minhas leituras. Há pouco levanto-me e dou com a porta da rua completamente aberta para trás e ele tranquilo deitado à porta da sala como se nada fosse e a cabeça virada para aqui, género cão de guarda. De casa às escancaras. Resumindo: este gato mata-me do coração e no meio disto tudo admira-me que não tivesse a mais pequena curiosidade de espreitar o mundo lá fora. Este sacana começou a vida como gato de rua. Aburguesou, o paspalho. Ainda por cima acelerou-me o coração pela hipótese de não ter sido ele e haver larápio dentro de casa. Corri o apartamento todo duas vezes à procura do meliante. Menina, não esquecer nunca: dar a volta à chave.


É por estas e por outras que não me dedico muito à ficção. A emoção está sempre por perto.