Por contraste
Por contraste, se me agasta o mundo lá fora, dos outros, dos afastados... Ele é a nova missa do comentário de Domingo que tenta dissimular banalidades do mundinho da intriga política apelidando-as de aspirações dos portugueses: desde quando os portugueses se revêem nela? Ele são os artigos de opinião espalhados pelos jornais, blogues e redes sociais, nos quais não se faz o mais pequeno esforço de franqueza, de honestidade: para quando a admissão dos vícios e defeitos de cada um e a declaração de interesses sempre invisível? Ele é a falta de verdade com que se defendem as instituições e a legalidade, sem questionar as razões para a decrepitude das primeiras e o ziguezaguear da segunda: para quando a aceitação de que a lei e as instituições existem para e por causa da população?, para resolver os seus problemas? E não para perpectuarem os interesses instalados de alguns e os joguinhos de intriga política de poucos privilegiados?
... por contraste, dizia, sinto o aconchego dos amigos mais próximos. Sinto a paz do núcleo essencial da minha vida. Sinto-me bafejada pela sorte por ter uma vida profissional relativamente tranquila e uma vida caseira harmoniosa e de compreensão. Sinto-me agradecida. E consciente de que tudo é frágil e efémero.
É certo que os anos vão passando e com eles chegam novos interesses, aspirações e pessoas. O tempo ditará o que passará a memória mais viva ou, pelo contrário, ténue, e o que permanecerá presente. Não posso preocupar-me em preservar ou afastar as circunstâncias do presente. O tempo ditará o destino.