Bem sei que não é chique nem intelectualmente estimulante escrever sobre víveres e outros itens de supermercado, muito menos, horror dos horrores, de preços. Nós que queimamos as pestanas para vingar no mundo precisamos de impressionar pela nossa sofisticação postiça e presumida como de pão para a boca.
Já nós os parolos, sem vergonha de fazer compras no supermercado, notamos no disparate do novo aumento de preços nas grandes superfícies. A título de exemplo um detergente lava loiça manual passou em pouco tempo para o dobro do preço. Alguns frutos estão a preços proibitivos sem que nada o justifique senão margens de lucro astronómicas dos distribuidores - falo de frutos com abundante produção nacional.
Bem sei que no ar paira uma nova excitação semi-ideológica que gosta de tecer loas à especulação. Estamos a maré de fazer muitos tagatés aos bancos e grandes grupos empresariais neste momento de fulgor liberal no espaço público. Bom senso nenhum, como de costume. É fartar vilanagem até a corda apertar novamente e aí ouviremos os agora entusiastas ortodoxos da economia de mercado culpar a vizinha do lado por ser gastadora.