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29/08/2024

Boa vida

Depois de passada a primeira noite no parque a decisão está tomada. Não compraremos o bungalow mas faremos aqui uma estadia por mês. O contrato com o parque sairia mais dispendioso do que a estadia de um fim-de-semana mensal, com a vantagem de neste caso ter o espaço limpo e arrumado pelo serviço de alojamento não tendo de pensar por exemplo na lavagem de roupa de casa. Qualidade de vida implica não me meter em alhadas trabalhosas, sobretudo, podendo gozar dos mesmos benefícios sem esforço.


O que perderia em sentido de propriedade e gozo de dispor da casinha ao meu gosto será compensado pela liberdade de vir quando e se apetecer, variar de poiso, e sem compromissos nem encargos extras de manutenção poder usufruir do belo espaço verde que tanta falta me tem feito. Respirar profundamente por estas bandas faz bem até à alma.


Hoje acordei antes das sete da manhã, como vem sendo hábito. Contudo aqui pude abrir a porta, a janela e as narinas ao cheiro a pinheiro, algas e demais odores naturais. Nessa companhia tomámos o nescafé que preparei na cafeteira de levar ao disco eléctrico.


Agora aqui deitada depois da caminhada matinal, de gozar o descanso dos olhos junto ao mar e de subirmos ao parque, agora, dizia, estou na espreguiçadeira no alpendre rodeada de árvores, hidranjas e bungalows vizinhos. Admiro-me com o sossego. Temi algum alvoroço entre os campistas na época alta, mas tudo quanto oiço são vozes dos rapazes a jogar futebol ao longe, bater de bolas nas raquetas ali mais abaixo no court de ténis. Ou a vozita de uma ou outra criança a brincar. Felizmente, nem rádios, nem televisões são audíveis. Sobressai sim o chilrear da passarada.


Deliciada. Tirando andar a fugir das abelhas. Ou vespas. Como vejo mal, não as distingo e faço figura de citadina parvalhona cheia de medo dos bicharocos voadores. Ao menos as formigas que se passeiam pela cadeira e corpo não chateiam ninguém.


Bom, agora alguém decidiu pôr música. A ver vamos. Foi só um par de minutos.


Depois desta manhã extenuante e de tantos dilemas graves a resolver vou aquecer o almoço. Uma maçada. Sofro tanto.


À tarde conto nadar e ler jornais online para saber do mundo. Ontem antes de dormir o livro esgotou-se em menos de uma hora. É o que dá o critério minimalista na escolha. Devia ter trazido mais um livrito. Pode ser que arranje qualquer coisa no telemóvel.


E aqui fica a memória de tudo tintim por tintim. Afinal para quê mudar de registo se este é natural e só incomoda tontos? Nada como seguir caminho sendo quem se é.


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