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23/08/2024

Diário

Um dos momentos de maior contentamento do ano. Hoje, a véspera de férias de duas semanas. Há dois dias no final do almoço gozava por poucos minutos a varanda e lembrava a T. e também o P., que costumam alertar para o desperdício de vidas muito ocupadas e corridas. Em regra, não alinho. Procuro saborear o que é possível e não me amargurar pela falta de tempo. As vidas rotineiras têm compensações de previsibilidade e segurança que me agradam. Mas àquela hora o ar estava ralo como só é usual ficar lá para o final de Setembro. Uma leve e muito agradável brisa que apetecia. Senti a tal falta de aproveitar o lado bonito dos dias que perco enfiada entre paredes a trabalhar. O facto de não ter uma profissão que me permita gozar dias, ou partes deles, livres para fazer o que me der na real gana, passando semanas seguidas encafuada, restringe a liberdade. É verdade. Todavia lucro na outra mão do desafogo que resulta do emprego de oito horas diárias, sem as dependências da precariedade e da instabilidade financeira. Não vivo abonada, mas vivo desafogada de inseguranças e isso agrada-me. Até ver, claro. Nada na vida é certo, senão o que todos sabemos.


Sucede que ao entrar em férias sobrevém a mesma sensação: o peso do tempo. Tempo para respirar. Esta noite, já relaxada, pedi ao Nuno que tocasse piano, coisa que não acontecia há semanas, contrariando o hábito dos últimos anos. Até à hora do almoço era costume aproveitarmos para duas ou três músicas.


Além disso dei por mim com a primeira semana de férias repleta de programa e ainda faltam cumprir outras “promessas” ou “intenções” que acabarão por recair na segunda semana, na qual estava previsto não fazer rigorosamente nada.


Julguei que não escrevendo – e estou há quase um mês a escrever muito pouco – sobraria tempo, mas ainda assim é escasso. Tenciono prolongar o estado de semi banho-maria de escrita, continuando a repor o histórico nas Comezinhas, mas vai chegar a altura em que não haverá mais o que recapitular. Aí terei de criar mais, ou não. Não tenho obrigações nesta matéria. Será conforme fizer sentido.