- Hoje queria falar contigo de Tempo. Sei que leste acerca do tema e deste-me a ler um resumo. Já aqui abordei o tema várias vezes. Como referência gostei de recordar a noção de passado como presente vivido e futuro como presente projectado de Santo Agostinho. Assim como a ideia de instantaneidade do tempo do mundo versus eternidade do tempo da alma. Mas convenhamos interessa-me bastante mais a física moderna que me custa tanto compreender.
Antes de te perguntar porque dizem os físicos modernos que o tempo é uma ilusão, peço para recuares a teoria da relatividade e às dimensões conhecidas.
- Com Einstein o Tempo tornou-se uma dimensão da física ao lado das três dimensões do Espaço.
- Que são…
- O comprimento, a largura e a altura.
- Voltemos ao Tempo.
- O Tempo surge no conceito de velocidade. Na confirmação de que esta é finita, tendo no seu exponente máximo a velocidade da luz.
- Não li nada disso no texto que me deste. Pedia que te centrasses no que lemos ambos.
- Está sim. Resulta da assunção que o Tempo desacelera na inversa da velocidade. Quanto maior é a velocidade, mas devagar anda o tempo.
- Não li nada disso. Li, sim, que se eu deixar o relógio em casa e sair a pé, ao regressar demorei menos do que o Tempo do relógio parado. Ups. É isso que quer dizer o que acabas de dizer. Percebi agora.
- Sim. O limite é a velocidade da luz, na qual todo o Tempo pára. Senão andarias para trás, com tempo negativo.
- Ai. Estamos a afastar muito do que eu queria. Não consigo chegar a uma conclusão daqui.
- Chegas sim. O Tempo com Einstein transforma-se na quarta dimensão por ter limite.
- Passemos para a ilusão. Do que me deste a ler retive duas coisas. A percepção que temos do tempo não é uma realidade palpável antes relativa. Por um lado, decorre da nossa ideia de causa efeito, partindo do que tem menos entropia para o que tem mais entropia. Isto é, da ordem para a desordem, sendo a desordem um espaço físico de maior liberdade e complexidade. Por outro, há o tempo psicológico. Consegues desenvolver estas duas ideias, que retive mas tenho dificuldade em explicar.
- Começo pela menor e maior entropia. Entendamo-la como desordem. O Tempo introduz desordem. Permite acrescentar desordem e esse processo é irreversível.
- Mau. Não é irreversível segundo a física. Aprendi no que me deste a ler. É sim altamente improvável.
- Tens razão. Mas de acordo com o conceito de entropia da desordem é altamente improvável regressar à ordem.
- Sim. O exemplo do copo de vidro cheio de água que cai no chão partindo-se em mil cacos.
- Sim. Pensa por exemplo na evolução das espécies. Tudo terá começado num organismo unicelular que se terá multiplicado em inúmeros organismos vivos até chegarmos à enorme variedade de seres vivos que habitam o planeta.
- No que me deste a ler o exemplo mais amplo do próprio Big Bang.
Para o que nos interessa no conceito de Tempo, fixo-me na ideia de que o passado tem menor entropia do que o futuro. O que nos dá a "sensação" do sentido da chamada seta do tempo (ilusória porque não comprovada pela física).
- Ou seja, possibilidade de expansão. De aumento de variedade.
- Tu estás sempre a fugir do assunto. Hoje queríamos falar apenas da ilusão do Tempo.
- As duas causas de ilusão do tempo: a gravidade que já vimos e as causas psicológicas. Neste segundo temos o exemplo do feriado que passa a correr e do moroso dia de trabalho. Ou quando estás a ler um livro no tempo da acção, nem te aperceberes do tempo exterior.
- Isto já ficou muito longo. Da próxima vez que falarmos destes temas devemos balizar melhor a abordagem para não divagarmos.
(Conversa com o Nuno na noite de 2 de Agosto de 2024; um pouco alterada para efeito de publicação.)