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15/08/2024

Diário

Menos escrita. Entretida a recapitular postais do histórico das Comezinhas tenho vindo a escrever muito pouco, com a graça do Universo. Prevejo continuar assim nos próximos dias, mas hoje deu-me vontade de dedilhar um daqueles textos intermináveis apinhados de pormenores sem qualquer relevância para o curso da humanidade e ainda assim os que mais dizem do bem-estar de cada um, afinal determinante ao papel que desempenha em sociedade por via indirecta. Todavia desdenhado pelos que aspiram a protagonistas vendo o mundo como um campo de jogos a disputar entre heróis e vilões nos mais diversos domínios de actividade e no qual o que interessa é provar a influência e conhecimento sobre o mundo alheio.


Na última semana mais um motivo de empolgação temporário do qual talvez resulte uma consequência. Pusemos a hipótese de comprar um bungalow que está à venda num parque de campismo de zona norte. Depois de muitas avaliações e contas, chegámos à conclusão que o meu sentido de propriedade e vontade de ter uns metros de terreno para plantar as árvores que estão na varanda não é superior ao comodismo do à vontade de não termos de fazer contas à vida. A ideia teria contrariedades. Bem sei que ao longo do blogue já contei diversos devaneios gorados. Surgem sempre contrariedades. É assim a vida dos sonhadores e nem por isso deixa de decorrer feliz. O primeiro óbice, não sermos senhores do nosso espaço. O segundo, o custo mensal do contrato com o parque. O terceiro, atirarmos ao ar o investimento da compra do equipamento. Mas além do bom que é conhecer mais algumas regras de funcionamento de vivências até agora estranhas ao meu mundo, isto é, ao pôr hipótese acabamos por enriquecer o nosso conhecimento de vida para lá do previsível, fiquei com vontade de experimentar uma estadia num parque de campismo. Comodista quanto baste a única vez que fiz campismo foi na Austrália (junto a uma praia do Pacífico). Quem sabe não se torne um hábito. Quiçá um fim-de-semana por mês para tirar proveito do contacto com o verde e o mar que tanta falta me fazem. Agrada-me. Hoje dizia a alguém que preciso de fontes de entusiasmo e respondiam-me que me vêem com várias alegrias nos últimos anos. O certo é que sou insatisfeita por natureza. Gosto de experimentar. De ir. Quebrar a rotina que também me agrada. Quero tudo. O melhor de dois mundos. Quero o mundo inteiro. Não o do brilho, mas aquele que traz contentamento e realização. Satisfação, tão só.


A primeira semana de férias está toda preenchida. Fim-de-semana prolongado em Beja, Terça-feira casa de acolhimento de crianças – mais uma visita. De quarta a sexta-feira parque de campismo. Na segunda semana tenciono descansar em casa fazendo cera.


Por agora, nesta semana, tenho estado sozinha em termos de trabalho nas tarefas habituais, já que a colega está de férias. E tive a peregrina ideia de me oferecer para função extra. Na próxima já deverei abrandar. Ou não, nunca se sabe.


Quanto ao blogue fiz a recolha dos relambórios dos cinco anos de Comezinhas e fiquei a congeminar: se no ano passado fiz o mesmo com as Tílias e de certa forma ganhei algum distanciamento da vontade e necessidade de falar das memórias de infância, será que acontecerá o mesmo com os relambórios, isto é, diminuirei os longos remoques quanto a gente gregária, presumida, oportunista, medíocre etc. e tal? Talvez não, porque a infância ficou lá atrás, mas os encostados espingardam a todo o momento - há ocasiões que até me diverte vê-los enfiar a carapuça e atacar à socapa. É certo que a cada dia presto menos atenção ao que não interessa e a cada dia ganho mais qualidade de vida, mas ainda não sou completamente imune. Lá chegarei.


Agora vou publicar isto e ligar a televisão para ver o discurso de ontem de Luís Montenegro e as críticas de Pedro Nuno Santos e demais oposição. Ainda não os ouvi e é suposto estar a par das questões de vida ou morte para os fabricantes de opinião.


Boa noite.