A comunicação é essencial. Conhecer mais pontos de vista e saber ouvir é fundamental. Ser permeável ao que à partida repelimos, questionando o que temos por certo, pode dar bons frutos. Mas convém não esquecer que o que anima as afirmações dos outros está preso ao seu percurso, aos seus interesses e aspirações e tantas vezes à superficialidade da aragem do momento, isto já para não falar em má intencionalidade. Dar valor demais a tudo o que é dito por alguém por se considerar conhecedor pode ser altamente prejudicial se afoga a afirmação ou convicção própria e mérito de quem ouve. A imposição pela prepotência retórica corresponde normalmente a menos preparação e seriedade dos supostos sábios e maior valor de quem se recusa a sujeitar às redes que os suportam. O atraso do nosso país reside muito nesta pecha e na eterna incapacidade de quem tem valor em manter a independência, caindo numa de duas situações: desistindo de se manifestar, mantendo uma vida discreta e pouco ambiciosa, ou aproximando-se da cilada das redes de interesse, deixando-se conspurcar pela bazófia e aparência de mérito.
Ao escrever o parágrafo anterior não pensei na política, mas encaixa bem nesse domínio.