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Se te cobiçam
o pequeno engenho
e louvam as penas,
não te perdoam
o riso desajeitado
e a reserva de ternuras.
Querem-te inspiração corrosiva
e não te absolvem
a distância nem a dissonância.
Supõem-te ora explosiva ora esfuziante
Trova boba do circo mental,
mas coerente e cooperante.
Desejam-te a lavrar sentidas baboseiras
que enchem os corações de logros,
a esboroar à simples chamada da razão
de quem sem meneios ama,
e sucumbidos ao interesse sórdido
de quem engana.
E dás por ti de juízo tolhido,
corroída por mentir,
a pedir a quem te ama
e finge não ver
saiba ler na alma
segredo tão nu.
E que te iluda também,
como sabes foi capaz.
Na sabedoria faça desta trama
uma justa novela,
sem amantes despojados –
ainda que inventados -,
de armas desiguais.