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19/11/2023

Viver pelo próprio pé

Um bom quinhão da arte de viver está no saber ignorar ou peneirar doutos conselhos e palpites. Em muitos casos quem se convence tudo poder ensinar dando-se como exemplo está apenas a argumentar, a persuadir para a compra de produto, a replicar modelos ou o que ouviu dizer não sabendo do conhecimento acumulado ou estranhando talentos alheios por mero preconceito - achando que já viu tudo por leviana avaliação da superfície e por adesão e comparação ao que é dado no círculo íntimo ou no meio pseudo-ilustrado. 


Aprender fazendo o caminho pelo próprio pé sem recurso a atalhos, apesar das dificuldades, deficiências e erros, tem a vantagem da independência e da segurança trazidas pelo próprio valor - sem ceder à sedução das audiências e vendas. Mérito distinto do sucesso que advém da colagem ao que é dado, quer aos lugares-comuns quer às contra-correntes de elite - disseminados como verdades do tempo - e do que resulta do elogio fácil e das palmadinhas nas costas de circunstância quando se cumprem os critérios das redes de relações interesseiras.


Porquê isto? Para o caso de vir a ser lida por outros distraídos em perigo de se perderem no caminho atordoados pelos conselhos e críticas levianos de umbigos cheios de prosápia javarda e mesquinhez que sabem bastante menos do que os ditos distraídos a quem tentam ensaboar - termo exacto neste contexto já que tem duplo sentido figurado: repreender ou bajular.