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Há instantes.
Há momentos como o de há pouco, quando vejo uma vez mais a Nespereira tombada, em que fico a achar que esta é a definição da minha vida, da nossa vida. Sempre a tombar, sempre a levantar. Sim, já sei, é a vida de todos, acontece a todos, somos todos iguais. É, mas há uns mais iguais do que outros.
Não conte com a sorte, avisaram-me.
Desde dia 17 de Setembro quando chegámos a casa vindos de Esposende já perdi a conta ao número de vezes que a árvore caiu. Nesse dia o Nuno, a meu pedido e sob uma chuva forte, pregou um prego a que atou uma guita para abraçar o vaso. Vai aguentando, mas cai quando o vento sopra mais forte. A guita desliza. Possivelmente devia prendê-la de modo a não deslizar saindo pela base. Ou pôr um acrílico corta-vento na varanda como sugeriu a dona L. Sucede que nos habituámos a isto: a abrir a janela nos dias de vento e ver a árvore tombada. A irmos os dois à varanda, eu a varrer, o Nuno levantar o vaso que é pesado e eu a fazer o fio abraçar o vaso. Manias de quem está habituado a levantar depois de tombar.
Bom, será melhor hoje pensarmos como atar melhor a guita. Já temos tarefa. Para já. E ainda havemos de ter um jardim para plantar a Nespereira e a Japoneira, haja quantos tombos houver. Pois, sei, lá também tombam e partem. É a vida.
Mula. Teimosa como uma mula.