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06/11/2023

Assuntos prementes

Verdadeiramente importantes. Que imagem de perfil usarei em 2024? Devo ou não mudar a cor de fundo do blogue? Isto sim apoquenta-me. Julgo necessário cada vez mais o afastamento profiláctico da argumentação acerca da actualidade. Sem deixar de definir posições – é o mínimo que se deve fazer quando o mundo enlouquece -, defendendo o sensato com parcimónia e não entrando no jogo da argumentação desenfreada que como as discussões sobre estatística acaba sempre num jogo de manipulação de razões pouco razoáveis e alvoroços emocionais com aparência de conhecimento.


Nos últimos anos tive a oportunidade de verificar como o mundo vai perigoso. Para lá da boa índole das pessoas que nos cercam, que continuo a considerar maioritária – o que não quer dizer nada porque a acendalha da manipulação das massas é altamente eficaz -, a tal insanidade, manipulação e distorção da realidade e da verdade foi sendo alimentada numa primeira fase pela comunicação social e nos últimos 20 anos também pelas redes sociais. Têm feito um bom trabalho, sem sombra de dúvida. Nos últimos cinco anos passei muito tempo a ler jornais, blogues e páginas online diversas – aliás em bom rigor faço-o há mais de 20 anos, tendo estado caladinha aproximadamente 10 anos. Os conteúdos são de uma criatividade e predisposição optimista imensas e produto de esfuziantes auto-estimas. Todos sabem tudo - a diferença não é grande entre comentadores anónimos ou não, jornalistas e autores. Quase todos gostam de ridicularizar os interlocutores de que discordam ou quem decide ou quem não é do mesmo clube ou seita. Não raro não compreendem o que lêem. Também me acontece, mas nesse caso tenho cuidado - estou em permanente auto-exame a aferir a minha estupidez para não ofender os outros ou o razoável -, circunstância ou hábito que não verifico na maioria dos que peroram – quase todos estão convencidos que sabem muito, se informaram o suficiente para opinar e muitos consideram que têm o direito quando não o dever de ofender. Os mesmos que reparo tantas vezes nem sequer lerem o que comentam, ou não compreenderem o que lêem. Concordam com afirmações que estão longe de reflectir o que pensam e discordam porque sim, por reminiscência de qualquer preconceito. Não se eximem a injuriar. Algumas vezes intencionalmente e com perversidade, mas tantas vezes por distracção, ou melhor, por ignorância. Por serem incapazes de ver em perspectiva. Refiro-me a pesar os dois pratos da balança de facto e não a procurar refúgio no maior dos lugares-comuns: o nim. E diz isto quem é pródiga na dúvida e na hesitação. Mas nestas há desconforto. Agora dizer tudo e o seu contrário ou recorrer ao facilitismo dando razão (ou tirando razão) a todos não é uma via de gente corajosa, antes pelo contrário. E diz isto quem aprecia pouco a arruaça.


Ah, a cor do blogue. Isso sim, é um assunto que me importa. Ando cansada deste azul meio lilás meio cinza. Ou melhor, ando entediada com este frontispício monocromático. A ver se até ao final do ano mudo o focinho ao blogue. Não sou de coisas sofisticadas nem nada dada ao marketing de imagem. Mas gosto de mudança. O que vier de novo ecoará a presença velha e singela, como a dona. Mas será uma nova imagem velha. Quando fiz a última alteração fiquei com a sensação que isto evocaria um recinto balneário e não fiquei muito convencida – raramente fico -, mas lá permaneceu este balneário nostálgico. Não faço ideia para o que vou mudar, mas escolherei outro template e logo se vê o que faço às cores. O que sucederá à imagem de perfil do ninho de passarinhos, arranjada em página online chinesa, como tem vindo a ser costume, também é uma incógnita. Poderia ser algo (escrevi esta palavra?) relativo ao meio século. Ou não, ainda nem decidi se sempre festejo este ano. Afinal fiz bem em celebrar os 49 no ano passado prevendo que agora o espírito não fosse tão alegre.