Que dizer? Tudo se eclipsa, tudo se suspende perante a beleza do momento.
Boa noite.
Adenda. Aqui fica a página que li sobre Clair de Lune, com o contributo e explicação do famoso pianista Lang Lang - entre outros pormenores começa por ver a lua entre a árvore para acabar com a alusão à abertura de imagem no cinema. E nesta outra página têm Luar, de Paul Verlaine, o poema que inspirou Claude Debussy a compôr esta peça. Amanhã possivelmente, e como é costume, já terei esquecido tudo quanto li/ouvi. Pode ser que daqui a 10 ou 20 anos qualquer coisa aflore. Tenho sempre esperança que fique qualquer coisa.
No caso do vídeo de Maria João Pires, que é magistral, li alguns comentários e reparei em alguém muito grato e reconhecido pela inspiração na pianista na sua aprendizagem de piano, apesar da posterior desistência. Reli ainda a entrada da Wikipédia sobre a nossa maior pianista. E por fim, já tarde, às quatro da manhã, li a entrevista de 20 de Setembro do Observador, na qual Maria João Pires, aos 79 anos, diz: «A música clássica está neste momento completamente entregue ao comércio. É um mercado e uma maneira de se fazer dinheiro. Se soubermos isso, já temos as respostas todas. Eu fiz o meu percurso fora disso». Acerca do seu talento e mestria diz: «Porquê? É uma questão de oportunidade e uma questão de momento. São questões que têm a ver com aquilo que aconteceu, lá está, com a flexibilidade e a impermanência da vida. A vida é tão impermanente que nós pensarmos que não éramos capazes de fazer algumas coisas é provavelmente errado. Nós teríamos sido capazes se tivéssemos estado naquele momento, naquela hora e naquela circunstância». Sobre o Centro de Belgais para o Estudo das Artes, o sonho que acalentou afirma: «Se fico com mágoa de ficar sem Belgais? Se foi um sonho realizado, mas que depois acabou? De quem é que foi a culpa? Para quê queixar-me ou ter pena disso?» Questionada sobre o "fraco consumo cultural" português (a forma como se faz a pergunta repele), responde: «Portanto, quando se diz que falta cultura, não concordo». E termina a entrevista assim: «Sim, estou feliz. Agora gostava de ter férias e espero tê-las ainda este ano.»
O que fiquei a pensar? Como golpe de magia volto à lua, agora a minha - as circunstâncias, os acasos, céus -, e reparo que Maria João Pires lê a vida que é em vez de encaixar o amigo Zé.
E assim se vai lendo e ouvindo de passagem, sem criar raízes. Cada um é como cada qual.