A ideia que fazemos de quem mal conhecemos pode ser errónea, cheia de equívocos e baseada em preconceitos. Por essa razão podemos ser injustos e é bom que tenhamos consciência disso. Além de mais cada um tem o seu percurso de vida e sensibilidades singulares, desconhecidas de outrem.
Mas não passa nem passará em claro a forma como nos ofendem gratuitamente – a nós e aos que respeitamos por representarem os nossos valores e por acreditarmos neles -, ou ofendem gente de carácter que não pensa como nós. Nem ficará impune o modo como brincam com o que sentimos e pensamos por pura perversidade, desporto e desdém, mas também por render audiência e bons ganhos. É natural, humano e desejável reagir à ofensa. Mais: é velhaco, cobarde e pouco inteligente defender que há o direito de ofender quando se está na posse de instrumentos de poder para mais obtidos de forma pouco limpa ou mesmo suja e, em seguida, tentar silenciar ou descredibilizar quem se defende das injurias - como se o direito à ofensa fosse um bastião da liberdade.
Liberdade implica responsabilidade. Lamento o registo sisudo de hoje, mas é o que tenho para dar por agora. Como é costume não vende. Uma maçada.
Isto não é ser puritana, é um módico de decência - essa palavra da qual se começou a ter vergonha por ser desbaratada por um chico-esperto.
Desculpem não referir os filósofos, principais correntes de pensamento, autores consagrados e respectivas obras que suportam ou inspiram as frases precedentes, mas sou uma pobre ignorante narcisa cheia de teorias da treta que gosta de dar bitaites e dizer banalidades pouco excitantes, como é consabido. Uma estupidinha desfasada da realidade dos factos e desprovida do mais pequeno laivo de erudição a quem todos dão lições, em muitos casos de cima da burra. Um aborrecimento.
No dia em que cair na aparência do conhecimento, nos floreados patéticos, na ofensa gratuita e tentar exibir ilustração em leque e relações interesseiras envergonhar-me-ei de mim e terei morrido como gente.
Bem sei o que vai nos vossos espíritos. Não há puros, ninguém é melhor, somos todos iguais, mania da perseguição e de se (des)valorizar. Há tantos assuntos mais importantes. Então para quê este registo? Chamo-lhe consciência e questionamento - matérias fora de moda consideradas imbecis e perigosas. Sem audiência, jamais destaque.
Bom dia.