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14/11/2023

Há 24 anos perdida na internet

Há algum tempo não deambulava pelo YouTube ouvindo poesia ou prosa por quem as sabe dizer. Uma banalidade da nossa época é referir a fortuna do acesso fácil à literatura, pensamento e reflexões nestes formatos alternativos. Podemos ser felizes passando umas horas a saltar de autor em autor, de leitor em leitor, de vídeo em vídeo. Entretenho-me deliciada com estas outras formas de tesouro arquivado para lá dos livros. Esta noite já me passeei por Poema em Linha Recta, de Álvaro de Campos (o vídeo dá-lhe o nome Estou farto de semideuses e simplifica a autoria identificando-o como sendo de Fernando Pessoa), Os Olhos do Poeta, de Manuel da Fonseca, Quando Ficares Velha, de William Butler Yeats e Aprendi..., de H. Jackson Brown. Não tinha memória nem devo ter lido antes alguns dos autores presentes nestas colectâneas, outros já ouvi ao longo dos anos vezes sem conta em temporadas de audição do YouTube - encantada não só com os que criaram os versos e prosas que nos confrontam com as nossas emoções, verdades, mentiras, beleza e pequenez, como também com a existência desta coisa fenomenal que é a rede mundial de computadores (World Wide Web). Enfim, banalidades de quem se começou a perder na internet há 24 anos. Para muitos um mundo de perdição cheio de gente ignorante, falta de rigor e demais vícios - e, sobretudo, de virtudes difíceis de aceitar e reconhecer com gratidão quando se vive da aparência ou encafuado na ditadura do culturalmente correcto.