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03/11/2023

Ilusões sobre o mundo feminino

Um espanto que nunca me larga é a forma como alguns homens se julgam perpetuamente amados e vêem as mulheres como eternas frágeis e apaixonadas seja em que circunstância for. A vaidade tolda-lhes o realismo insuflados pelo exagero de mimo materno e ausência de responsabilização pelos seus actos. Vivem de ilusões. Não compreendem a forma bem mais prosaica como a maioria das mulheres ama e deixa de amar. Não enxergam (soa a brasileiro? que bom) o desdém ou desprezo feminino. Numa inocência de colo materno de onde nunca saem consideram que elas escondem o que verdadeiramente sentem por orgulho e amam ainda que destratadas. Negam-se a aceitar a evidência - a aceitar que as mulheres têm amor-próprio e vontade-própria e pensam e sentem em consonância. Não compreendem que em muitos casos as mulheres deixam-se amar por trastes (faz-lhes bem ao ego) para amarem homens dignos. Na ingenuidade julgam-se objecto de tonta devoção fruto dos enganos induzidos por educações ainda marcadamente machistas e vidas de aparência. 


Felizmente esta realidade vai mudando e tem tendência a desaparecer com as gerações mais novas. E afortunadamente desde sempre houve homens capazes de tratarem as mulheres como iguais. Em regra, educados por mães mais exigentes, menos tolerantes com mentiras, abusos e desconsiderações pelo sexo feminino.


Há quem julgue estas considerações fora do tempo, ultrapassadas. Gente que está convencida que vivemos já num mundo muito mais favorável às mulheres, que resmungam sem razão de queixa. E entre quem pensa assim há não só homens como mulheres, contentes com o que existe. Uns por simples falta de inteligência e mundo, outros por uma espécie de sensibilidade pimba: romantizando mulheres virtuosas, bonitinhas e tontas e amores irreais encalhados no éter. Felizmente há gente mais exigente.