Não vou pôr o cérebro azul fluorescente, mas este é um postal de agenda. Não esqueci a ideia das entradas de Sábado sobre ciências. Acresce que, como é típico desta altura do ano, dediquei parte da noite de ontem à astrologia – calma, sei que escrevi a palavra ciência muito próxima do termo astrologia, mas já vão compreender a associação e desta vez é um pouco menos estapafúrdia do que é costume.
Vamos por partes.
Ando há meses a congeminar estudar o meu mapa astral. Conheço-o há mais de vinte anos, mas gostava de começar a entender como é feito e saber interpretá-lo por mim – depois terei oportunidade de dizer se faz ou não sentido; esse é um passo posterior, apesar de ser o ponto de partida de tantos que esconjuram a astrologia.
Antes de chegar à conclusão se a posição e movimento dos astros tem ou não influência na personalidade e destino de cada um e nos fenómenos da natureza, há dois elementos prévios que me interessam: noções de uma área da matemática – a geometria – e regras de interpretação das posições e movimentos dos astros.
Não posso afirmar se a astrologia faz ou não sentido sem entender previamente como calcular a posição relativa dos astros dispostos em ângulos, trígonos e quadraturas.
E se não interessar esta inclinação pela explicação do mundo e da natureza das coisas e dos homens através da leitura dos astros ou for totalmente irracional, há-de servir para rachar a cabeça a tentar compreender as mais básicas noções de astronomia – as que é suposto as crianças conhecerem e sobre as quais a maior parte da população adulta não tem a mais pequena ideia do funcionamento.
É mais um TPC que me marco sine die. Ler acerca de e pedir que me expliquem como se tivesse seis anos matérias básicas como a rotação dos planetas em torno de si e do sol, inclinações etc. Se chegar a aprender isto ainda que de forma incipiente darei um passo importante. Voltarei aos gregos e aos primeiros passos na compreensão do Universo. É curiosidade pela curiosidade, sem pretensões a escrever nada sobre o qual não haja um punhado de gente muito capaz de explanar de forma muito completa e minuciosa. É tão simples vontade de compreender e incomum falta de vergonha em revelar e expor ignorância na mais básica matemática, ou melhor, na geometria. No ano passado quando estive internada por causa da vesícula li o livro Matemática para Pessoas com Pressa e mais uma vez fiquei irritada com a incapacidade de compreender parte substancial do que li. Irrita a minha burrice e como sou teimosa como uma mula continuo a lutar contra ela.
Perguntam-me: então porquê não procurar investigar as bases da astronomia, ler qualquer coisa “séria” e de fácil compreensão acerca da matéria em vez de ir para duvidosas explicações astrológicas? Pela simples razão de não me apetecer ceder “à seriedade e ao rigor” só porque sim, só por as convenções e a necessidade de passar boa imagem assim o estabelecerem. Além de mais é forte a curiosidade sobre a natureza e explicação da personalidade humana e probabilidades futuras da vida.