Ora vamos lá terminar a série de diários deste fim-de-semana. Incontinente verbal, é o que é. Só para dar conta que não escrevi nem vou escrever hoje acerca do que tinha intenção: bitaites politiqueiros – por falar nisso, esta semana houve uma nova onda de críticas às “conversas de café”; se os autores destes comentários tivessem noção da pouca coisa que são e do ridículo em que caem sendo possidónios, teriam vergonha. Mas continuam impantes. Desenvolver a ideia que anda a ebulir nos poucos neurónios com que fui bafejada obrigar-me-ia a pensar e não estou para isso. Talvez adiante apenas que a efervescência política internacional com ondas de radicalização e os conflitos armados no mundo estão a trazer à superfície o real carácter e pensamento de muitos democratas fingidos, tanto de anónimos como dos que peroraram ao longo de anos no espaço público. Perdoem-me o insulto, mas não há como fugir dele: matarruanos não o deixam de ser por se enfarpelarem e alçarem-se às discussões filosóficas sobre literatura, geo-política, ciência ou de qualquer outra natureza. A educação não se compra nem com vidas materiais desafogadas nem nas alcovas da intelectualidade afectada nas ideias, no gosto e na acção. Endinheirados e intelectuais presunçosos sempre fizeram bons casamentos e má geração – não trazem nada de bom para a nação, por muito que se pavoneiem nela como grandes figuras. Vem isto a propósito do pezinho a fugir para o despotismo e para o anti-semitismo. É fatal como o destino: não há labrego que lhes resista, por mais farpelas bonitas vista, por melhor que maneje a retórica, os corredores do poder, as poltronas e mesas da intelectualidade. Imagino que possam causar algum desgosto a quem não se habituou a distanciar de tais influências, a quem os teve sempre em boa conta e como bons amigos a pretexto das balelas sonsas da tolerância e distorção do valor da liberdade de opinião, convertendo-o nos direitos à dissimulação e à ofensa – o direito à ofensa virá em força nos próximos anos; se gostam assim tanto, fiquem descansados: é o que mais terão.
No que concerne à vida comezinha já comecei a festejar. Têm sido presentes atrás de presentes. Não materiais, mas intangíveis. Retomar a natação foi um deles. Sensação boa de deslizar na água tépida a ritmo lento. Apesar de ter ficado com os braços e resto do corpo moídos, saí da piscina municipal numa boa-disposição só. Mais. Depois de outras confirmações de presença e das boas conversas de ontem com pai, mãe, o N. e a F. intervaladas com mais um lanche apenas a dois, hoje depois de preparado o Natal de sempre e de ouvir um conto de Natal de José Eduardo Agualusa (o Nuno está numa de audição de contos) ligou-me o meu afilhadinho para dar boas novas. Aproveitei para o convidar a vir cá com a irmã no próximo fim-de-semana - alteração de planos. Quando contei que tencionava encomendar o repasto, ofereceu-se, caso possam vir, para cozinhar cá em casa os habituais orientalismos a que aderiram. Faz parte do mundo deles: anime, jogos, comida e livros orientais.
Para terminar em beleza, depois de jantar e de ver as balelas costumeiras de Domingo à noite na televisão, acabarei um livro – não interessa dizer qual, ainda estou de greve em matéria de nomeações dessas leituras e estou a gostar; quanto menos anúncios e estardalhaço sem sentido, melhor. Vai ser uma sensação boa, mais uma vitória, até porque não é comum - leio efectivamente (sim, um advérbio) poucos livros.
Para registo acrescento apenas que escrevi este postal sentada da cadeira do +1, partilhando-a com o Ritz. No Inverno (Outono, em rigor) é isto. O raio do bicho não me larga, o interesseiro procura o calor como um desaustinado - parece o intelectual da treta em busca do calor do endinheirado enfarpelado que desdenha só por vaidade e vice-versa, apesar de eterna e mutuamente ofuscados.
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Presépio, hoje, 26 de Novembro 2023.
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Árvore de Natal e Presépio, hoje, 26 Novembro 2023.
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Fato de banho, touca e toalha no pequeno estendal da varanda, hoje, 26 de Novembro 2023.
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Lanche, ontem, 25 de Novembro 2023.