Com preguiça de escrever procurava um post passado para recapitular. Mas nada me inspira nem sequer a busca apetece. Por isso vou tagarelar umas linhas à toa, fazendo os dedos deslizar ao acaso. Mais cedo vim a tempo de assistir à declaração do Presidente da República. Ouvi o Jornal da Noite distraída e deixei a televisão ligada na SIC Notícias que acabou de mostrar as declarações de António Costa depois de calcorrear a rua até à sede do PS.
Este hábito antigo de ver o mundo do avesso leva-me a desta vez não considerar nada pateta a actuação do PR nos últimos dias. Aqueles que elogiaram atitudes insensatas de MRS no passado não são capazes de compreender a coragem e sensatez em pequenas atitudes de aparente irresponsabilidade no que diz respeito à política externa, nem reconhecem o sentido de Estado que demonstrou nas palavras escolhidas nesta declaração de dissolução da AR e convocação de eleições antecipadas. Os sábios do minuto, os especialistas do segundo, esmiúçam cada palavra no intuito de encontrar questiúnculas com que possam obter, entreter e baralhar a audiência para escarnecer da democracia.
Agora começou um debate daqueles insuportáveis que repetem o mesmo guião há 40 anos – desde que tenho memória -, pelo que vou desligar a televisão. Este tipo de conversa e retórica, que acompanhei(ámos) décadas a fio, sim, é do agrado dos sábios do minuto, dos especialistas do segundo – e dos políticos que têm vingado para mal dos nossos pecados. É o seu habitat natural. Uma das principais razões para não sairmos de cepa torta.
Bem sei que isto parece bater no ceguinho, chover no molhado, bater na mesma tecla e nada acrescentar. O que proponho? Ouvir a sugestão que li há dois anos ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Juiz Conselheiro Henrique Araújo: «Escreve-se muito. Consomem-se sem critério dezenas ou centenas de páginas em argumentações desprovidas de interesse e em repetições escusadas. As decisões dos tribunais têm de deixar de se influenciar por essa tendência.» Não apenas nos Tribunais, como na comunicação social. Vivemos num mundo de fala-baratos, começando aqui pela autora desde blogue. O drama é que muitos dos palradores irresponsáveis estão em funções ou posição de tomar/influenciar decisões e não têm o menor bom senso.