

Jardins do Palácio, 7 de Julho 2022.
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As palavras seguintes não podem ser mais desajustadas da voz corrente nos dias presentes. Hoje lá passei num ápice nos Jardins do Palácio, como usual na sequência de algumas consultas no Santo António. Nos últimos 15 dias tive três consultas. A experiência pessoal no Serviço Nacional de Saúde é muito positiva. Gozando em geral de boa saúde e não tendo motivos de grande preocupação, apesar de precisar de acompanhamento médico, nos últimos anos recorro a dois hospitais públicos. Um por rotina há 15 anos. Outro nos últimos três anos. No primeiro salvo os tempos de espera tudo o mais tem sido atenção, qualidade e bom discernimento médico. No segundo nem sequer de tempos de espera das consultas tenho a queixar-me, à excepção do período da pandemia quando os serviços perderam um pouco o pé. Nestes três anos no Santo António tive cerca de 15 consultas e vários exames médicos, quase todos feitos na hora marcada ou muito perto dela (na pandemia houve confusões e situações de adiamento). Nos dois internamentos para cirurgia fui muitíssimo bem tratada, especialmente pelas equipas de enfermagem.
Apesar de há 25 anos ter seguro médico privado procuro preferencialmente ser acompanhada pelo Serviço Nacional de Saúde, no qual sei por experiência própria estarem os melhores profissionais e no qual o saber e práticas acumulados contam muito. Já na experiência com a medicina privada nem tudo me correu bem.
Bem sei que vivo num grande centro urbano e que a situação noutras zonas do país não é a mesma, especialmente no Interior.
Observo com alguma estranheza a forma crédula como muitos consideram que só no privado podem ser bem tratados. Reparo como têm a sensação de serem cuidados com maior atenção e desvelo. Pergunto quantos terão noção que parte substancial desses desvelos em exames, pequenas cirurgias e outros actos médicos avulsos só tem lugar por representarem um negócio extraordinariamente lucrativo. Uma realidade fora do pensamento de muitos utentes que não tomam consciência do supérfluo por estarem protegidos financeiramente pela cobertura de convenções e sistemas de assistência públicos e privados.
Sempre me dirão: um caso particular não é representativo e o Sistema Nacional de Saúde tem graves problemas. Tem alguns problemas, é certo. Como a falta de médicos de família, o desinvestimento no Interior e problemas pontuais nalgumas valências. Mas a atenção ao fenómeno noticioso sobre o assunto leva qualquer pessoa sensata a perceber que muitas das notícias são encomenda corporativa ou representam interesses económicos e correspondem a pura chicana política – seja quem estiver no Governo e na oposição. Tudo é ecoado na comunicação social e redes sociais com grande alarido como qualquer tema que crie comoção e por isso venda bem.
O Serviço Nacional de Saúde, uma conquista recente, continua a ser um valor maior do país, apesar de muitos gostarem de o desprezar. Tique de novos-ricos.