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04/07/2022

E dura, dura

Qual coelhinho duracel ainda tens mais o que dizer, apesar de já se fazer sentir o sono. Quatro ainda que pequenos textos num dia. É demais. Fecha a matraca, diz a voz cafona - ai credo, influência brasileira é erro de palmatória no alinhamento purista. Ontem o mesmo brado da consciência: qual o teu maior medo? Cair no ridículo. Quem diria, não parece nada, caso contrário já terias posto travão na sucessão abismal de trechos trapezistas sem rede de segurança dos últimos anos. Escrever sem o conforto dos temas palpitantes, sem a protecção das matérias sólidas e sóbrias passíveis de representação em factos crus, sem o aconchego das tomadas de posição maniqueístas de fácil adesão. O risco de saltar entre trapézios, rente às incongruências e contradições em repisada e cansativa escrita: os mesmos movimentos repetidos à exaustão com pequenas variações quase imperceptíveis. É fácil tornares-te odiosa e caíres no ridículo. Ou melhor: dares por ele para além do jogo diário de zombaria que sobre ti fazes recair. Dares peso efectivo à consciência do ridículo, o qual ainda que subtil em momento nenhum de ti se afastou. Mas poderá materializar-se em escárnio escancarado, impossível de contornar. Terás de o enfrentar. Ou não: deixarás que floresça e continuarás a brincar enquanto a pilha dura.