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27/07/2022

Ilusão do conhecimento

Há dias, depois de ter dado um bitaite rápido sobre o aumento das temperaturas na Terra, resolvi ouvir por aí, na comunicação social, um reputado cientista português sobre o assunto. Dei por mim desiludida. E coloco-me  a questão da razão para esta sensação de frustração. Sendo uma matéria em que sei pouco ou nada, estou habituada a ficar entusiasmada sempre que oiço cientistas ou gente com interesse e conhecimento na ciência. Sei que isto acontece por me alimentarem daquilo que desconheço. Por aprender. Nada mais sensaborão do que viver a ouvir e ler mais do mesmo. Sucede que senti isso mesmo ao ouvir o cientista. Em 10 minutos talvez nem tanto, limitou-se a atirar quatro ou cinco estatísticas a fazer lembrar os rankings do futebol e a repetir aquilo que oiço há anos os jornalistas afirmarem sobre o efeito estufa induzido pelos altos níveis de dióxido de carbono (até eu papagueio isto sem ter muita noção do que estou a dizer) e a necessidade de utilização de fontes de energia alternativa. Aliás, usou o mesmo tipo de linguagem dos jornais e redes sociais.


Continuo ao pensar que o excesso de informação e o constante papaguear de dados está a afastar-nos do essencial. Da explicação da causa das coisas. Algo está errado quando já não se distingue a locução de um cientista da do cidadão comum não particularmente ilustrado. Não podemos estar todos convencidos que sabemos muito ou tudo quanto é preciso saber. Nem convictos que todos podemos ensinar. Vivemos na ilusão do conhecimento.