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09/07/2022

Campo de reeducação globalizado

Vou lendo pela rama o que sobra dos acontecidos. Já que apesar da torrente informativa cada vez temos menos acesso à consciência do realmente sucedido. A todo o momento se criam controvérsias, de tudo se faz caso e casinho sob pretexto de cabal esclarecimento para uso do jogo sujo que já nem é pelo poder formal, mas pelo protagonismo. Expele-se fel em tom de gracejo acumulado por erros próprios que não se assumem nem se corrigem, investindo tudo na construção artificial de imagem de grande tolerância. Cada vez mais se defende ou dá guarida à ideologia cega dominante, ao insulto e à injuria - vendidos como defesa de importantes valores. Cada vez se cava mais o fosso entre a propaganda globalizada e os que a ousam contestar, tantas vezes de forma irracional. As contradições dos segundos são sempre enxovalhadas sem piedade, os absurdos da primeira sempre inquestionados e idolatrados, potenciando esta intolerância conflitos e danos irreparáveis para o mundo. Sem pejo abrem-se alas à divisão da população entre bons e maus e disso se faz gala, como se tivesse descoberto a pólvora.


Ainda sem vontade de opinar apesar de em vários casos ter formado espessa e decepcionante ideia sobre a cada vez maior prevalência do juízo fácil e da caricatura tomados por factos. A inconsequência e os anátemas passam a definir as relações de poder de forma decisiva. Os meios de difusão de informação impõem um campo de reeducação globalizado.


Se for capaz (não estou muito convencida disso) amanhã voltarei a passar pelos jornais da semana e escreverei um postal sobre actualidade. Por agora vou nadar.