Há mais de quinze anos desenho na mente um (dos muitos) projectos futuros. Voltar a estudar. Fazer um mestrado - sim, ainda sou pré-Bolonha e apesar dos vários cursos de formação e da pós-graduação que fui fazendo, não me atirei a nenhum mestrado, o que denota quão fora de época sou. A ideia é voltar a estudar formalmente não no meu campo de formação base (só por autoflagelação) mas em História da Arte ou área próxima. Quando penso nisso, remeto a intenção para a reforma, na altura em que tiver disponibilidade. A menos que antes disso vingue a semana de quatro dias. Uma coisa é certa: conhecendo-me, e a menos que patine antes, é natural que venha a acontecer. Quando as ideias mais sólidas (ao contrário dos milhentos rasgos de ilusão que sempre me acompanham) ficam a matutar muitos anos, demoro eternidades, mas costumo consumá-las.
Por agora é tempo de pensar na saúde física e nos prazeres do corpo. Hoje foi o primeiro dia de natação livre, com a agradável surpresa de uma entrada me permitir estar o tempo que quiser. Desconhecendo (ou esquecendo) a regra, nadei 50 minutos seguidos (com muita calma, não me cansando) para me despachar dentro da hora. Acho que vou voltar amanhã já que à semana, salvo se começar às sete da manhã, não há horários compatíveis.
Voltando à questão de estudar, a razão que me levou a escrever o primeiro parágrafo foi a palavra "especializar". Disse-a ao jantar em conversa: vou-me especializar em detectar alter-egos, pseudónimos e heterónimos pelo traquejo ganho nos últimos anos a confrontar-me com as palermices de homens que, depois dos falsos perfis masculinos criados para ludibriar, escrevem agora sob nomes femininos. E não querem entender que por mais histórias justificativas e enredos fantasiosos engendrem não conseguirão iludir do facto de serem pura e simplesmente vigaristas.